De
uma fuga em busca de sobrevivência até uma autora consagrada. Clarice Lispector
é um dos maiores nomes da literatura brasileira. Sua obra é, por vezes,
comparada a de Franz Kafka, escritor tcheco, autor de “A Metamorfose”.
A
autora fez parte da terceira geração modernista, a chamada “geração 45”. E foi
uma das primeiras autoras do seu tempo a ganhar notoriedade nacional, ao lado
de outros nomes consagrados como Rachel de Queiroz e Cecília Meireles.
Sua
narrativa quebrou a sequência, até então, padronizada, de começo, meio e fim.
Utilizando características da prosa e as misturando com métodos da poesia,
Clarice deixava os pensamentos de seus personagens dominarem a narrativa.
A
ordem cronológica também foi redimensionada, devido à fusão de prosa e poesia.
Como em sua primeira obra publicada, “Perto do Coração Selvagem”, que esmiúça o
interior de Joana causando impacto a quem lê.
Infância, juventude e primeiros passos literários de Clarice Lispector.
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| Foto: iMS |
Poucos
sabem, mas Clarice Lispector não nasceu no Brasil. Em 1920, na aldeia
Tchetchelnik, Ucrânia, a filha de Pinkouss e Mania Lispector veio ao mundo.
Seus pais eram de origem judaica e precisaram fugir para o Brasil devido a
perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa.
Nem
sempre seu nome foi Clarice Lispector, o primeiro nome que ela recebeu foi Haya
Pinkhasovna Lispector. Quando ela, aos dois meses de idade, e sua família
chegaram ao Brasil, seu pai decidiu que todos mudariam de nome. Nesse momento,
o Brasil ganhou um dos maiores nomes de sua literatura.
Vale
ressaltar que Clarice sempre salientava não ter nenhuma espécie de ligação com
a Ucrânia – “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”
- ela dizia que a sua verdadeira pátria era o Brasil.
Clarice
passou a infância no Bairro da Boa Vista, em Recife. Fez o curso primário no
grupo escolar João Barbalho. Além de estudar inglês e francês, cresceu ouvindo
o idioma de seus pais, o iìdiche. Estudou no melhor colégio público da cidade,
o Ginásio Pernambucano e desde esse período já escrevia seus primeiros contos.
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| Clarice com os filhos Pedro e Paulo, na praia |
Aos
12 anos foi com sua família para o Rio de Janeiro, onde residiu no Bairro da
Tijuca. Em 1941, ingressou na Faculdade Nacional de Direito e conseguiu uma
vaga como redatora na “Agência Nacional”, tempos depois, passou para o jornal
“A Noite”. Já em 1942, casou-se com Maury Gurgel Valente, seu colega de
universidade da turma de direito.
Um
de seus maiores sucessos literários, “Perto do Coração Selvagem”, foi encaminhado
para os dirigentes do jornal “A Noite”. O livro acabou sendo publicado, após
insistência de jornalistas e foi recebido com imenso êxtase no meio literário.
Devido a isso, Clarice foi comparada a importantes escritores europeus como
Virginia Woolf, James Joyce, Jean-Paul Sartre e Marcel Proust.
Dos
muitos conflitos que a autora passou, em 1966, ocorreu um de seus maiores
martírios. Clarice sofreu diversas queimaduras pelo corpo, principalmente nas
mãos, devido a um incidente ocasionado por um de seus cigarros.
Como foi a vida profissional de Clarice Lispector?
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| Foto: Acervo Pessoal Rocco / Divulgação |
Clarice
Lispector não foi somente escritora, a influente autora do século XX, dominava
cerca de sete idiomas. Traduziu diversos
contos e artigos, além de livros de variados gêneros e escritores.
Em
1941, antes de iniciar sua carreira literária, trabalhou na revista “Vamos
Ler!”, como repórter e atuou, também, na área de traduções. Sua primeira
tradução foi a do conto “Le missionaire”, de Claude Farrère.
A
autora trocou diversas correspondências com amigos escritores brasileiros,
entre eles Manuel Bandeira. Essas cartas estão reunidas em diversas coletâneas
e tornaram-se extensão de suas obras.
Clarice
não apenas traduziu obras, mas também teve as suas traduzidas para mais de dez
idiomas. Seus livros mais traduzidos foram os seguintes romances: A Hora da
Estrela; A Paixão segundo G.H.; Perto do Coração Selvagem; Laços de Família; e
Uma Aprendizagem ou O livro dos Saberes.
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| Clarice e o marido, Maury Gurgel Valente em Veneza, Itália |
O
casamento de Clarice com um diplomata a fez viver em diversos países, fato que,
às vezes, lhe causava certa melancolia. Clarice nunca escondeu a falta que
sentia do Brasil.
Não
apenas suas obras literárias, a escritora nos deixou um vasto acervo de
publicações, incluindo as publicadas em jornais e revistas. A autora nunca se
importou com as críticas e sempre fez questão de deixar claro que a sua relação
com a escrita não era de um mero trabalho, segundo ela:
“Eu
escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera
em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente
está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”.
Como Clarice Lispector morreu? (ÚLTIMA OBRA)
Citação
da obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.
“O fato é que tenho nas minhas mãos um destino e, no entanto, não me
sinto com o poder de livremente inventar. Sigo uma oculta linha fatal. Sou
obrigado a procurar uma verdade que me ultrapassa.”
Em
1977 Clarice Lispector escreveu a que seria sua última publicação em vida, o
livro “A Hora da Estrela”, no qual narra a história de Macabéa, uma jovem
alagoana que passa a residir no Rio de Janeiro.
Olhe
que interessante! Você pode curtir um fim de semana e estudar para o Enem. É só
preparar a pipoca e assistir a versão cinematográfica de a “Hora da Estrela”,
que foi dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistando um dos maiores prêmios
do festival de cinema de Brasília e consagrando a atriz Marcélia Cartaxo com o
troféu Urso de Prata em Berlim, 1986.
Clarice
Lispector faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, devido a um
câncer de ovário. Durante o período que lutou contra o câncer escreveu “Um
Sopro de Vida”, obra publicada postumamente.
Seu corpo está sepultado no cemitério Israelita do Caju, no Rio de
Janeiro. [...]
(Fonte:
beduka.com / https://snip.ly/wmhriz)