terça-feira, 29 de novembro de 2022

Projeto "Li e Recomendo!" 2022 - os estudantes falam sobre as obras lidas por eles

Este projeto foi elaborado e posto em prática com o intuito de estimular a leitura e divulgar obras literárias através dos depoimentos de estudantes que emprestam livros regular e frequentemente na Sala de Leitura de nossa escola. A partir de rodas de conversas sobre os livros lidos, os estudantes, fazem um breve relatório sobre os pontos que mais lhes chamaram a atenção na obra literária (positivos, negativos ou ambos) e gravam um vídeo em forma de depoimento ou entrevista, o qual será publicado neste blog e/ou na página da rede social da escola. 

Assista abaixo aos relatos dos estudantes sobre os livros lidos por eles
Observação 1: Pedimos desculpas pela qualidade dos vídeos apresentados em relação à imagem e ao som pois foram gravados de maneira amadora, sem equipamento profissional e condições adequadas.
Observação 2: Todos os estudantes que aparecem nos vídeos abaixo tiveram a exibição de sua imagem autorizada por seus pais/responsáveis. 

Marcela F. Miranda - T1/2022 - Livros: "O Ódio Que Você Semeia", de Angie Thomas 
e "O Sol É Para Todos", de Harper Lee

Maria Clara da Silva - P1/2022 - Livro: "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen

Monique de Oliveira - S1/2022 - Livros: "O Perigo de Uma História Única", de Chimamanda Ngozi Adichie e "O Feminismo É Para Todo Mundo", de bel hooks

Gabriel D. Okama - P3/2022 - Livro: "A Revolução dos Bichos", de George Orwell

Gabriel D. Okama - P3/2022 - Livro: "Cidades de Papel", de John Green

Sarah da Silva - S3/2022 - Livro: "Cidadã de Segunda Classe", de Buchi Emecheta

Maria Clara da Silva - P1/2022 - Livro: "A História Sem Fim", de Michael Ende

Geovanna Siqueira - P2/2022 - Livro: "Úrsula", de Maria Firmina dos Reis

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Título da Semana: A Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler

“Tudo o que você toca
Você Muda
Tudo o que você Muda
Muda você
A única verdade perene
É a Mudança
Deus é Mudança”
(Octavia E. Butler)

Como quase sempre acontece com os textos de ficção científica e distopia, esse não foge à regra. Escrito em 1993, A Parábola do Semeador, de Octavia E. Butler projetava, naquela época, um futuro trinta anos à frente, entre 2024 e 2027, período do qual estamos bem próximos em nossa realidade atual¹, neste ano de 2022. Como acontece neste texto ficcional escrito por Octavia, estamos, cada vez mais, sofrendo as consequências nada boas das mudanças climáticas, assistindo à migração para outros continentes de povos atingidos pelas guerras, pela miséria, e pela perseguição religiosa em seus próprios países e identificando grupos de pessoas iludidas, desequilibradas e alucinadas, vítimas de robots disparadores de fake news, a serviço de políticos e grupos financeiros. Tudo junto e misturado, em um mundo que insiste em nos retirar a paz e o direito ao sonho, ao ócio criativo e à liberdade. Seria mesmo, este texto literário, uma mera ficção? 
1. Este texto foi publicado em novembro/2022)
(Texto: André Luiz Gattás)

Octavia escreveu este livro em 1993, com a intenção de produzir uma trilogia. Porém, ao terminar o segundo livro, Parábola dos Talentos, acabou tendo um bloqueio de escrita e faleceu antes de dar sequência a duologia¹ já criada. Apesar disto, foi muito além de seu tempo, criando e especulando um mundo não muito distante do que temos hoje em 2020 - e sua história se passa em 2024. Assim, A Parábola do Semeador nos leva a uma distopia corajosa e cercada de ensinamentos.

SINOPSE: Quando uma crise ambiental e econômica leva ao caos social, nem mesmo as cidades muradas estão seguras. Em uma noite de fogo e morte, Lauren Olamina, a jovem filha de um pastor, perde sua família, seu lar e se aventura pelas terras americanas desprotegidas. Mas o que começa como uma fuga pela sobrevivência acaba levando a algo muito maior: uma visão estonteante do destino humano. E ao nascimento de uma nova fé.

[...]

O final nos deixa com aquela sensação de continuidade, mas que dá a entender que apesar da situação ser complicada para todos, juntos eles se tornam mais fortes e a comunidade que eles pretendem criar pode crescer e repassar a mensagem de A Semente da Terra para as próximas gerações. Recomendo ler a entrevista da autora ao final da obra, pois dará um entendimento maior sobre suas ideias para este livro. Em resumo, nas próprias palavras da autora, este livro é uma reflexão de "para onde estamos indo, o que estamos fazendo agora, e para imaginar onde alguns de nossos comportamentos atuais e problemas negligenciados podem nos levar".

1. Duologia: obra literária composta por dois volumes. 

Trecho especial:

"Somos Semente da Terra. Somos matéria - consciente, direcionada, que resolve problemas. Somos aquele aspecto da Vida na Terra mais capaz de moldar Deus conscientemente. Somos a vida da Terra amadurecendo. Vida da Terra preparando-se para abandonar o mundo-mãe. Somos a Vida da Terra preparando-se para criar raízes em solo novo. Vida da Terra cumprindo seu propósito, sua promessa, seu Destino."

(Fonte: mariandonoslivros.blogspot.com / https://bit.ly/3EnXZYQ)

[...]

O afrofuturismo é um movimento cultural, social e político, cuja produção promove o encontro entre ficção científica, tecnologia, realismo fantástico, ancestralidade, mitologia e diáspora africana negra.

Essas narrativas da ficção especulativa permitem imaginar novos futuros para a população negra, reelaborar o passado — que historicamente é de desconexão com o continente africano e suas narrativas, perdidas no tempo e nas correntes da escravidão — ou fabular o presente.

Um dos grandes exemplos recentes de arte visual que usou bastante o afrofuturismo é o filme “Pantera Negra”, que utiliza da ficção científica, realismo e outros aspectos para apresentar o mundo de Wakanda.

[...]

OUTRAS RESENHAS SOBRE ESTA OBRA:

- LOUREIRO, Juliano. Otavia E. Butler A Rainha do Afrofuturismo. Disponível em: livrobingo.com.br / https://bit.ly/3EE3YJp

- RODRIGUES, Jeff. Resenha: A Parábola do Semeador. Disponível em: leitorcompulsivo.com.br /  https://bit.ly/3to6i0y 

-    SALZANI, Livia. A Parábola do Semeador / Leia a resenha do livro de Octavia E. Butler. Disponível em: aodisseia.com / https://bit.ly/3A9QfqV

VÍDEO RESENHAS SOBRE ESTA OBRA: 

Heráclito e as PARÁBOLAS da Octavia Butler

(Fonte: canal Filosofares, de Bruno Neppo - YouTube / https://bit.ly/3O0lV7H)

A PARÁBOLA DO SEMEADOR (caos, filosofia e uma descoberta religiosa) 

(Fonte: canal Duda Menezes - YouTube / https://bit.ly/3A4APo0)

OCTAVIA E. BUTLER | A RAINHA DO AFROFUTURISMO

(Fonte: canal Só Mais Uma Vírgula - YouTube / https://bit.ly/3UIXopS)

A PARÁBOLA DO SEMEADOR, mais um livro incrível da Octavia Butler

(Fonte: canal Mil Páginas - YouTube / https://bit.ly/3X736UT)

Citações favoritas:

Eu sou Semente da Terra. Qualquer pessoa pode ser. Um dia, acho que seremos muitos. E acho que teremos que espalhar nossas sementes cada vez mais longe deste lugar moribundo.

Cidades controladas por grandes empresas são velhas conhecidas na ficção científica. Minha avó deixou para trás uma estante cheia de romances desse tipo. O subgênero da cidade operária sempre pareceu apresentar um herói que era mais esperto e que vencia ou escapava “da empresa”. Nunca vi nenhuma em que o herói lutava muito para ser aceito e mal pago por ela. Na vida real, é assim que será. É assim que é.

As pessoas não têm poder para melhorar a vida, mas conseguem deixar os outros ainda mais arrasados. E o único modo de provar a si mesmo que você tem poder é usando-o.

Eu ouvi: “Não matarás” a vida toda, mas quando você tem que matar, você mata. Queria saber o que meu pai diria sobre isso. Mas foi ele quem me ensinou a atirar.

O mundo está repleto de histórias dolorosas. Às vezes, parece que são o único tipo de história que existe e, ainda assim, me peguei pensando em como era linda aquela gota de água entre as árvores.

(Fonte: blogsemserifa.com / https://bit.ly/3E4mh97


QUEM FOI OCTAVIA BUTLER?
(Fonte: jornal140.com)
Filha de um engraxate e uma empregada doméstica, a grande dama da ficção científica nasceu na Califórnia, em 1947. Aos 12 anos, assistiu ao filme “A Garota Diabólica de Marte”, que era tão ruim, mas tão ruim, que mudou completamente sua vida. Octavia decidiu que contaria histórias melhores do que aquela e assim começou sua jornada como escritora. A autora precisou lutar contra a pobreza, a dislexia e o racismo para receber um diploma universitário e foi a primeira mulher negra norte-americana a conquistar o sucesso em uma área da literatura dominada por homens: a ficção científica.

(Fonte: pt.wikepedia.org)
Ao longo de sua carreira, foi laureada com o MacArthur Fellowship, Hugo, Nebula e Locus Awards, além de ser indicada mais de 20 vezes a outros prêmios. Representava em seus livros heroínas negras e explorava temas como raça, empoderamento feminino, divisão de classes, sexualidade e escravidão. Em 2010, quatro anos após sua morte, foi inserida no Hall da Fama da Ficção Científica, em Seattle. Sua obra continua tão relevante, que, ainda hoje, é objeto de estudo e seu trabalho e vida ganharam uma magnifica exposição na The Huntington Library, na Califórnia.

(Fonte: RODRIGUES, Jeff. Resenha: A Parábola do Semeador. Disponível em: leitorcompulsivo.com.br /  https://bit.ly/3to6i0y)

Observação: Neste blog você encontra a resenha de Kindred - Laços de Sangue, da mesma autora. Basta digitar seu nome ou o nome do título do livro na barra de busca.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

SÉRIE FICÇÃO CIENTÍFICA / DISTOPIA: Júlio Verne

Para começar este artigo, citarei um trecho de um artigo acadêmico escrito por Daniel Vechio, no qual ele explica como o gênero ficção científica (ou utopia científica), com narrativas nas quais a humanidade aposta tudo na tecnologia como forma de construir uma sociedade perfeita e justa, acaba por se entrelaçar com o gênero distopia, sendo que este último apresenta narrativas em que o ser humano sente-se oprimido, desajustado e escravizado em uma sociedade em que a máquina e a ciência prevalecem no comando social vendendo uma imagem falsa e hipócrita de perfeição, felicidade e progresso. 
(André Luiz Gattás)

(...)
Mas é preciso frisar, antes de tudo que, apesar da intensificação das distopias, a crença na possibilidade da ciência e da tecnologia produzirem uma sociedade utópica, na verdade, nunca desaparece. Desse modo, o que temos aqui é um cruzamento das representações literárias opostas da ciência e da tecnologia a partir do século XIX. Como dito, na medida em que a defesa de soluções tecnológicas para problemas sociais era representada pelas utopias, havia também quem delas duvidasse.
Podemos apontar como distopia científica produzida nessa época, a obra The Age of Science, A Newspaper of the Twentieth Century (1877) de Frances Power Cobbe (1822-1904) que representa uma ciência levada aos extremos, em que pessoas são executadas como hereges por ir contra seus princípios industriais e econômicos. E. M. Forster (1879-1970), em seu famoso The Machine Stops (1909), também apresenta os perigos que há se a humanidade se tornar completamente dependente da ciência. O seu conto é uma distopia científica em que uma civilização inteira morre porque perde sua originalidade de existir entre as máquinas.

Portanto, enquanto a utopia científica demanda uma atitude de maravilhamento através da ciência e seus cientistas, os escritores das distopias mostram uma crescente ambivalência em relação a sua disseminação através do estranhamento de um ser humano em um mundo desumano, tomado completamente pela industrialização e suas relações mecanicistas. Essa característica é frequentemente suprimida na leitura comum realizada de muitas ficções científicas produzidas durante o século XIX e XX. Desde Wells até Huxley essa ambivalência é dificilmente captada pela crítica. Ela fica, talvez, mais clara na obra de H. G Wells, erroneamente considerado um cego defensor do avanço científico. Em seus escritos, os problemas, na maioria dos casos, surgem do medo de que a ciência possa ser usada de forma abusiva.

Para muitos escritores de ficção científica como Wells ou Júlio Verne, a máquina é uma força irracional que reflete uma realidade artificial, ou seja, provoca uma teia de relações mecânicas que deteriora seus artistas e pensadores distintos: (...).
(...)
Fonte: VECHIO, Daniel. ESTUDOS INTRODUTÓRIOS SOBRE A UTOPIA E A DISTOPIA CIENTÍFICA NAS OBRAS DE JÚLIO VERNE. Disponível em: RECORTE– revista eletrônica, ISSN 1807-8591 V. 11 - N.º 2 (julho-dezembro - 2014) - https://bit.ly/38zcxrq

Obras de JULIO VERNE presentes em nosso acervo:

A Ilha Misteriosa
Conta as aventuras de um grupo de abolicionistas estadunidenses que, após uma fuga num balão, encontram uma ilha desconhecida. Por vezes, o nome Ilha Misteriosa é usado simplesmente como referência à Ilha Lincoln, ilha fictícia no oceano Pacífico (34° 57' S 150° 30' O), onde a história se desenrola.

Uma grande aventura e, também, um guia de sobrevivência
A ilha misteriosa é um grande clássico e possivelmente a maior aventura que Jules Verne escreveu. Nesta obra grandiosa, o autor demonstra mais uma vez seu grande conhecimento das ciências, em um amplo espectro, indo da geologia, passando por zoologia e botânica, até à astronomia. Chega a ser um compêndio para a sobrevivência em uma ilha remota. Nesse caso, para a sobrevivência dos náufragos do ar. Cyrus Smith, um dos náufragos, é o líder e cabeça da equipe, mas os outros desenvolvem papel importante para a evolução da pequena sociedade que eles formaram. Uma sociedade que chega a ser uma utopia, pois não há conflitos e raramente um deles chega a discordar veementemente sobre a opinião do outro. Assim, nós vemos ao longo da história como "meros" 5 homens (e mais 1 depois) e um cachorro, vão sobrevivendo e transformando o ambiente da ilha a favor deles. É uma síntese da evolução humana a passos largos. Além disso tudo, há mistérios que rondam o cotidiano dos sobreviventes que dá um gosto a mais nessa aventura. Apesar das partes bem descritivas, que faz parte da escrita de Jules, deixar alguns leitores cansados, essas mesmas partes são de interesse para quem gosta de conhecer mais sobre ciências e a natureza em geral. E no mais, é uma narrativa muito interessante e que instiga ao leitor saber qual será os próximos acontecimentos naquela ilha isolada do mundo.
(Fonte: Bruno, Rafael. Disponível em: skoob.com.br/comentarios - https://bit.ly/3a74wLg)

Vinte Mil Léguas Submarinas
Uma expedição parte em busca de respostas mas é atacada por uma criatura e três homens são lançados ao mar. Aronnax, Conselho e Ned Land são resgatados pelo suposto monstro, que descobrem se tratar de um submarino, comandado pelo capitão Nemo. Ele os salva da morte, mas pede um preço alto: serão prisioneiros para sempre.

Publicado em 1870, Vinte Mil Léguas Submarinas é uma das obras de aventura quintessenciais da literatura ocidental. Mais do que isso, o francês Jules Verne ajudou a estabelecer um tipo de romance que, sem abrir mão por um segundo da mais eletrizante carga de entretenimento, apresentava e discutia as principais questões que norteavam o conhecimento científico de seu tempo. E ia além, perscrutando o futuro. A aventura começa quando Dr. Pierre Arronax é convidado pelo Secretário da Marinha dos Estados Unidos a participar de uma expedição de pesquisa naval a bordo do Abraham Lincoln. O objetivo é encontrar um monstro marinho, avistado no Oceano Pacífico. Durante o confronto, Arronax, seu criado Conseil e o arpoador canadense Ned Land são lançados ao mar, para serem subsequentemente resgatados pelo submarino do capitão Nemo, o Nautilus. Narrado por Arronax, o livro é um vasto passeio pelos oceanos do mundo e suas maravilhas submarinas, descritas em detalhes por Verne. Não é apenas a tecnologia que o interessa, mas também a fauna e a geografia marítimas, tudo reforçado em seu maravilhamento da imaginação – como no episódio da luta da tripulação do Nautilus contra uma lula gigante. 
(Fonte: livrosefuxicos.com / https://bit.ly/3udvqbb)

Viagem ao Centro da Terra
Nesse livro Verne conta a história de uma fantástica viagem, motivada pelo encontro de uma misteriosa mensagem escrita em letras rúnicas em um pergaminho, esquecido dentro de um livro de cerca de 700 anos! O professor Lidenbrock e Axel, seu sobrinho, conseguem decifrar a mensagem e partem de Hamburgo, na Alemanha, rumo à Islândia, para tentar chegar ao centro da Terra!!!

Em meados dos anos 1863, o renomado professor de mineralogia Otto Lindenbrock faz uma descoberta surpreendente entre alguns livros velhos: um mapa exploratório descrevendo o que parecia um paraíso intocável dentro do globo. Convencido de que as runas antigas do mapa e que a história possa ser verdadeira, ele e o seu temeroso sobrinho Axel partem para a extraordinária aventura.

“A ciência, meu rapaz, é feita de erros, mas de erros que é bom cometer, pois conduzem à verdade.”

Acompanhados de um guia de pouca conversa, Hans, eles adentram o globo através de uma caverna e vão tomando notas de tudo o que vão encontrando pela frente, desde temperatura, geologia, química e biologia. Mas logo a aventura se mostrará mais desafiadora do que jamais puderam imaginar.

Em meio a túneis sem fins e precipícios mortais, os aventureiros passarão por grandes momentos de aperto e desespero, desde falta de recursos e mantimentos, bem como riscos mortais por todos os lados. Mas tudo valerá a pena para contemplar uma das mais belas vistas de toda a história e um mundo preservado da ação destrutiva do ser humano.

(Fonte: resenhadossonhos.com / https://bit.ly/3OVTuaz)

QUEM FOI JÚLIO VERNE
Jules Gabriel Verne nasceu em Nantes, França, 8 de fevereiro de 1828, primogênito dos cinco filhos de Pierre Verne, advogado, e Sophie Allote de la Fuÿe, oriunda de uma família burguesa da cidade. Era neto de um grande viajante e alfabetizou-se com a viúva de um capitão marítimo. Posteriormente, estudou Humanidades em sua cidade natal e Direito em Paris.

Inicia sua carreira literária logo após a desilusão de seu pai com a carreira de advogado. Assim, tenta ingressar no teatro, escrevendo peças e poemas, além de tentar a sorte com a música, sem sucesso. Em 1848, compõe, em parceria com Michel Carré, dois libretos para operetas, e, dois anos depois, uma comédia versificada, junto com o posteriormente célebre Alexandre Dumas Filho. Entretanto, só descobriu sua verdadeira vocação ao escrever narrativas de viagens.

Alguns biógrafos afirmam que a infância em Nantes, cidade portuária, pode ter estimulado esse pendor, já que o garoto adorava ficar olhando os navios chegarem e partirem. Durante sua vida, nunca viajou muito, tendo feito apenas viagens curtas no seu iate Saint-Michel, visitas rápidas à Inglaterra, Escócia e outros destinos próximos, e uma viagem de navio aos EUA. Todavia, em seus livros, percorreu o mundo, indo da África à Antártida.

O início da carreira, como costuma ocorrer com todos os grandes escritores, é marcado por dificuldades. Seu livro Cinco Semanas no Balão é recusado por 15 editores, com acusações de tentativa ingênua de previsão do futuro, até ser publicado na revista Magazin d'Éducation, resultando em gigantesco sucesso de público e crítica.

Por intermédio do amigo Alexandre Dumas Filho, Verne conhece Pierre Jules Hetzel, o editor mais influente de Paris, que lhe propõe escrever, pelo menos, um livro por ano. Entre as mais célebres, destacam-se Viagem ao Centro da Terra (1865), Da Terra à Lua (1865), Vinte mil léguas submarinas (1869), Os Ingleses no Polo Norte (1870), A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1872), Miguel Strogof (1876) e Um Capitão de 15 Anos (1878).

Além disso, é um dos pioneiros do gênero “Ficção Científica”, tal como o conhecemos atualmente, e, sobretudo, um visionário, tendo previsto inventos como o condicionador de ar, o cinema falado, a iluminação, a televisão, etc.

Suas influências passeiam por Jonathan Swift, com seu livro Viagens de Gulliver, Daniel Defoe e seu Robinson Crusoé, e Edgar Allan Poe e seus contos macabros. Verne compreendia perfeitamente as preferências dos leitores de todas as idades, conseguindo, como poucos, prender sua atenção.

Em 24 de março de 1905, Verne pediu a um criado um exemplar do livro Vinte Mil Léguas Submarinas, perguntou pela mulher e os filhos, cerrou os olhos e faleceu. A atualidade de suas obras, tal como sua popularidade, mantém-se intactas, sendo um dos autores mais conhecidos e apreciados da História da Literatura.

(Fonte: https://www.infoescola.com/escritores/julio-verne/)

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Gêneros FICÇÃO CIENTÍFICA e DISTOPIA: A Máquina do Tempo, de H. G. Wells

A Máquina do Tempo (1895), de H. G. Wells

Esta obra literária escrita pelo inglês H. G. Wells, surge, coincidentemente, na mesma época em que os irmãos Lumière davam os primeiros passos na França com sua invenção genial, o cinema. Estávamos, então, no final do século XIX, num momento em que se apresentava um panorama histórico no qual se percebia o desejo dos seres humanos por poder manipular o Tempo para frente e para trás, aumentando ou diminuindo sua velocidade; enfim, manipulá-lo a seu bel prazer.

“(...) A história da ficção científica considera ao livro de Wells um marco pelo fato de pela primeira vez a viagem no Tempo deixar de depender dos recursos fantasistas clássicos (um sonho, uma visão, uma poção mágica, uma hibernação prolongada, um transporte involuntário por meios desconhecidos para instituir, modernistamente, a possibilidade de um mecanismo controlado pelo passageiro, que pode assim deslocar-se na direção que quiser, parando onde bem entender, e retornando ao ponto de partida quando lhe for conveniente. Um automóvel para viajar no Tempo, em outras palavras. Relendo a obra, no entanto, constatamos que seu caráter inovador repousa menos no hardware (a máquina em si, cujo modo de funcionamento não é explicado em momento algum) do que no software: a cuidadosa (e em certa medida falaciosa) argumentação do Viajante no Tempo sobre as quatro dimensões e a possibilidade de alguém se deslocar na quarta com a mesma facilidade com que se desloca nas outra três. (...)”

“(...) A literatura utópica do século XIX geralmente projetava um indivíduo numa sociedade futura ou distante, e lhe apresentava um habitante local para servir-lhe de guia. Este recurso conferia à obra um caráter didático, explicativo. A aventura que havia era uma aventura peripatética, uma aula de História ao longo de um passeio ilustrativo. Wells despreza esse recurso e joga seu Viajante num futuro desconhecido e cheio de ameaças, entregue aos seus próprios recursos e contando apenas consigo mesmo para interpretar o que vê. Com A Máquina do Tempo, a literatura utópica e futurista foi se transferindo do âmbito dos diálogos filosóficos para o dos romances de aventuras. (...)”

(Fonte: TAVARES, Bráulio. Prefácio de “A Máquina do Tempo”, de H. G. Wells. Editora Alfaguara, 2010, Rio de Janeiro)

RESENHAS SOBRE A OBRA:

(...)
Não sei vocês, mas eu gosto muito de ler livros antigos e perceber coisas desse tipo: H. G. Wells colocou o espaço quadridimensional (comprimento, largura, altura e tempo) em sua história, quando Einstein ainda era adolescente. Somente dez anos depois da publicação de A Máquina do Tempo, o físico publicou seus trabalhos sobre a teoria da relatividade, em que é utilizada a ideia das quatro dimensões na geometria do espaço-tempo, substituindo os dois conceitos utilizados de forma independente na teoria de Newton.
(...)

(Fonte: MANTOVANI, Michelle. A Máquina do Tempo – Resenha. Disponível em: deviante.com.br, em 25/09/2020 - https://bit.ly/3FI3j8k)

A Máquina do Tempo foi a primeira obra de ficção científica a retratar a viagem do tempo na ficção. Depois de tantas obras já utilizarem este recurso na narrativa, saiba qual a utilidade de conhecer o livro pioneiro nesta resenha. (...)
(Fonte: ARAUJO, Diego. Resenha: "A Máquina do Tempo" de H.G. Wells. Disponível em: ficcoeshumanas.com.br, https://bit.ly/3waJHH7


VÍDEO-RESENHAS SOBRE A OBRA:

A MÁQUINA DO TEMPO do H. G. WELLS: RESENHA E EXPLICAÇÃO | Darwinismo político e social
(Fonte: canal Projeto Nocente / YouTube / https://bit.ly/3l64qW0)

A MÁQUINA DO TEMPO, de H. G. WELLS
(Fonte: canal Abstração Coletiva / YouTube / https://bit.ly/3Mcwbbw)

A MÁQUINA DO TEMPO, de H. G. WELLS, um precursor do gênero
(Fonte: canal Duda Menezes / YouTube / https://bit.ly/3LaxYw8)

QUEM FOI H. G. WELLS?

Herbert George Wells
, mais conhecido como H. G. Wells, nasceu em um distrito da grande Londres, a 21 de setembro de 1866.
Na juventude foi
aprendiz de negociante de panos, porém esta experiência só foi bem-sucedida no sentido de colher experiências para uma de suas futuras obras.
Em 1883 começou a lecionar na
Midhurst Grammar School, até conseguir uma bolsa para estudar biologia com T. H. Huxley, na Escola Normal de Ciências em Londres.
Wells tornou-se conhecido por seus
“romances de ficção”, carregados de suas visões políticas e que antecipavam inúmeras situações vividas pela sociedade posteriormente.
Mesmo escrevendo sobre outros tempos, lugares, e até mesmo formas de vida, jamais deixou de se referir à própria realidade. Escreveu sobre luta de classes, questionou a ética da ciência, e anteviu bombardeios.
Em seus romances que não possuíam cunho científico, menos conhecidos pelo grande público, fazia
críticas sociais ainda mais consistentes. Os costumes, dilemas e a ruína da baixa burguesia vitoriana, por exemplo, estiveram em várias de suas obras. Chegou a escrever, até mesmo, sobre os direitos das mulheres.
Suas narrativas abordavam, com fascínio e desconfiança, a aplicação de
tecnologias, sejam elas do futuro real ou ficcional. Alguns estudiosos atribuem a qualidade científica de suas ficções aos oito anos em que foi professor de ciências e zoologia.
Sua carreira de escritor teve início com artigos científicos, que na realidade não alcançaram tanta repercussão.
Fez parte da
Sociedade Fabiana, que tinha como propósito transformar, de forma gradual, a sociedade da Inglaterra, orientada pelo socialismo. Passa, então, a enxergar o nacionalismo como causa principal das catástrofes que acometiam a humanidade. Acaba por deixar a sociedade, e passa a dedicar-se a ideia de um Estado Universal, descrito em uma de suas obras.
Com o avançar da idade, seu
pessimismo em relação ao futuro da humanidade foi aumentando, e esse sentimento pode ser claramente identificado em seu último livro, onde mais do que contar uma história, Wells pregava acontecimentos posteriores. Não mais utilizava de sua inicial capacidade inventiva, apenas fazia constatações sobre um futuro não muito distante.
H. G. Wells faleceu no dia 13 de agosto de 1946, em Londres.
 
Principais obras:
A Guerra dos Mundos
A Máquina do Tempo
A Porta no Muro
Kipps
Ann Veronica

(Fonte: RAMOS, Thaciane Rollemberg. H. G. Wells. Disponível em infoescola.com / https://bit.ly/3xO5YKa)

ANO 2024 - Bem-vindos!

CARDÁPIO DO MÊS - Abril 2024

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são sel...