terça-feira, 9 de abril de 2024

Gênero NOVELA: características e títulos do acervo da SL

NOVELA é um texto narrativo, em forma de prosa, de tamanho intermediário entre o conto e o romance. Como qualquer narrativa, apresenta espaço, tempo, enredo, narrador e personagens.  Contudo, devido à sua extensão, não apresenta o mesmo detalhamento do romance.
Veja mais sobre "Gênero literário novela" em: 
https://brasilescola.uol.com.br/literatura/caracteristicas-genero-literario-novela.htm

AS NOVELAS QUE TEMOS EM NOSSO ACERVO

NOITES DO SERTÃO
Livro de João Guimarães Rosa composto de duas novelas: 'Dão-Lalalão' e 'Buriti', que têm em comum a sensualidade se sobrepondo a convenções e preconceitos e dominando totalmente o homem e a mulher.

 A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D’ÁGUA
Antes de se tornar o boêmio e cachaceiro Quincas Berro d’Água, festejado por malandros e prostitutas das velhas ladeiras de Salvador, Joaquim Soares da Cunha foi um pai de família respeitável, “exemplar funcionário da Mesa de Rendas Estadual, de passo medido, barba escanhoada, paletó negro de alpaca, pasta sob o braço”. A virada existencial, que levou a família a renegá-lo, deu-se aos cinquenta anos de idade.
Se um homem teve duas vidas tão contrastadas, nada mais justo que tenha também duas mortes. É esse o duplo óbito que Jorge Amado narra nesta novela deliciosa, que tangencia o fantástico sem perder o olhar aguçado para as particularidades da sociedade baiana.
Publicada originalmente na revista Senhor, em 1959, a novela A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO DÁGUA se destaca pela prosa inebriante, que ganha uma atmosfera onírica, sem ser possível distinguir o que é fato e o que é delírio etílico.

 A HORA DA ESTRELA
Trata-se de uma novela escrita por Clarice Lispector, publicada em 1977 e escrita na forma de contraponto. De um lado, a história da ingênua Macabéa, migrante nordestina pobre em luta pela sobrevivência na cidade grande; de outro, o drama do escritor e seu processo de criação ao retratar uma pessoa distante de seu universo socioeconômico e ser capaz de se comunicar com ela: “Tentarei tirar ouro do carvão”, diz ele. A moça alagoana, sem recursos para lidar com os códigos urbanos numa cidade do porte do Rio de Janeiro, despreparada para enfrentar a competição capitalista, sem atributos que lhe garantam sucesso no mercado do amor e do trabalho, enfrenta a hipocrisia de pessoas próximas. O namoro com o operário Olímpico de Jesus Moreira Chaves, nordestino como ela, não progride. Rude e vaidoso, ele afinal de contas não vê no relacionamento chances de ascensão social. A colega Glória, por sua vez, espelho invertido da protagonista – carioca “safadinha e esperta”, confiante nas próprias sexualidade e feminilidade –, não hesita em ser desleal. O tom do livro oscila entre a compaixão por um ser tão frágil, a angústia diante de uma forma de escrita incompetente para se comunicar com os miseráveis, e a ironia, anunciada no nome dos personagens.

A MORTE DE IVAN ILITCH 
É uma novela de Liev Tolstói, publicada pela primeira vez em 1886. Considerada uma das obras-primas da literatura, foi escrita logo após sua conversão religiosa do final da década de 1870, em que o velho escritor critica as convenções familistas e as aparências sociais, a superficialidade e a hipocrisia da alta sociedade.
Geralmente classificado entre os melhores exemplos de novela, A MORTE DE IVAN ILITCH conta a história de um juiz de alta corte e seus sofrimentos e morte por uma doença terminal na Rússia do século XIX.

MEMÓRIAS DO SUBSOLO
Nesta obra-prima da literatura mundial, o genial Fiódor Dostoiévski, um dos maiores autores de todos os tempos, nos apresenta em sua novela MEMÓRIAS DO SUBSOLO uma narrativa intensa que nos convida a embarcar em uma viagem pelas memórias de um ex-funcionário público que, no auge de seus quarenta anos e vivendo no subsolo da repartição em que trabalhava, expõe suas confissões mentais, revelando seus pensamentos mais íntimos e sua visão sobre si mesmo e de alguns episódios de sua juventude, em muitos dos quais se sentiu humilhado, revelando-se decisivos para a formação de sua personalidade mordaz. Tais características o tornam incapaz de tomar decisões ou agir com confiança, imerso em dúvidas e questões mal resolvidas sobre si mesmo e sobre o ambiente ao seu redor.

A ESTEPE
Durante uma longa viagem de charrete pela estepe russa, o escritor Anton Tchékhov vai apresentando, em sua obra A ESTEPE, os personagens da região: mujiques (camponeses), negociantes, carroceiros, senhores de terra, nobres e religiosos. Personagens com sentimentos, desejos e atitudes universais, que tornam o microcosmo de um bioma russo um macrocosmo universal.
O olhar sensível do menino Iégor, o personagem principal, nos leva a conhecer, além da natureza e das atitudes das pessoas, as expressões dos seus rostos e as suas emoções, mergulhando o leitor naquela vida rude e difícil, que lembra a do sertão nordestino e a de tantas outras regiões.
Nesse ambiente precário, tipos e personalidades variados vão se descobrindo aos poucos, até chegar a suas dores e alegrias mais interiorizadas. Uma narrativa poética e profunda, que desvenda o amor e o ódio, a felicidade e a solidão, e as mudanças no crescimento de um menino e na sua transformação de vida.




segunda-feira, 1 de abril de 2024

CARDÁPIO DO MÊS - Abril 2024

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são selecionadas por diferentes critérios: gênero literário, escola literária, temas, datas temáticas etc. Esse display está sempre exposto no revisteiro da SL, logo à entrada. 

Neste mês, estão expostos os livros novos de HQ com obras da literatura clássica brasileira e estrangeira e outros de autores contemporâneos, adaptadas para este formato. 

DICA para leitores iniciantes: 
O formato HQ é uma boa maneira de se conhecer os clássicos literários caso você tenha alguma dificuldade em ler a obra original, a qual poderá ser lida em um outro momento, quando já tiver se tornado um leitor mais experiente.

Boa leitura!




ANO 2024 - Bem-vindos!


Bem-vindos ao Blog da Sala de Leitura! 
Este espaço virtual foi criado especialmente para você, estudante do Ensino Médio, que tem por objetivo a busca por uma formação completa em relação aos seus conhecimentos, visão de mundo, cultura geral e específica. Lembre-se que nossa formação não depende somente da presença em sala de aula com um professor, mas, de nós mesmos, nossos interesses, leituras, estudos e empenho. O Blog da SL é constituído por 20 seções como, por exemplo, entretenimento, tecnologia, artes, literatura etc. que tratam sobre os mais variados temas e têm por objetivo ensinar, entreter e contribuir para a ampliação de sua cultura geral e aprendizagens. Portanto, aqui, você:

  •     terá acesso às resenhas de várias obras literárias e outros livros pertencentes ao nosso acervo;
  •      poderá aprender mais sobre a vida dos escritores;
  •   poderá aprender mais sobre as obras literárias para poder lê-las com mais profundidade e conhecimento;
  •     aprenderá sobre o contexto histórico-social relativo à época em que essas obras literárias foram elaboradas;
  •     entenderá melhor a questão dos gêneros e escolas literárias e seu desenvolvimento através da história humana;
  •    também terá acesso a artigos referentes aos mais variados assuntos sobre ciência, tecnologia, lazer, arte etc.

DICA: Ao acessar o blog através de seu smartphone, role a barra até o final e escolha a opção "versão web" para ter acesso à barra de busca de conteúdo e, assim, conseguir visualizar todas as publicações, de todos os meses/anos.

Aguardamos, também, sua visita à Sala de Leitura para conhecer e usufruir de seu enorme acervo e que está à sua espera para que você realize leituras super emocionantes, interessantes, misteriosas, românticas, de aventura etc.

Abraço,

Prof. André Luiz Gattás

 

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Livro da Semana: A HORA DA ESTRELA, de Clarice Lispector

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o sei desespero. E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui.” – trecho de "A Hora da Estrela"

A Hora da Estrela” foi o último romance lançado por Clarice Lispector, onde ela usou  um alter-ego chamado Rodrigo S. M. para contar a história de Macabéa. Uma jovem pobre órfã que foi criada pela tia, que não teve conforto, amigos ou amor, apenas uma infância bem miserável.

O livro começa com o narrador/escritor contando sobre seu processo criativo para começar a produzir a história da garota que ele viu um dia na rua, e com apenas uma troca de olhares sentiu que já sabia toda a sua história; Junto acompanhamos o que ele sente ou pelo o que ele se passa enquanto tenta dar início a história, junto com algumas reflexões, e como ele se sente em relação a produção do livro. Ao longo do livro ele começa a apresentar Macabéa, a jovem com quem ele se deparou em uma rua da cidade, e apenas com uma troca de olhares ele toma conhecimento de toda sua história. [...]

(Fonte: cultetc.com / https://bit.ly/47V7Im5)

Dentro do leitor há um grito desde o primeiro momento da leitura até o último. Quando a última página termina, fica um eco, eterno, para sempre, cheio de perguntas sobre quem é Macabéa, sobre o quanto, cada um de nós é Macabéa, ao mesmo tempo que essa constatação causa espanto e repulsa, porque não podemos ser Macabéa, porque dentro de sua simplicidade, mora a perfeição e nós estamos muito longe disso. Assim, A hora da Estrela se torna eterno dentro de cada leitor, pois a verdade é que mergulhamos num espaço muito particular de consciência que, de um jeito que não se explica, mas percebe-se como algo muito concreto, não há palavra, não há linguagem capaz de expressá-la. [...]

(Fonte: RAMOS, Francine. A Hora da Estrela (Clarice Lispector): um soco. Disponível em: Livro&Café / https://bit.ly/3OYO3JB

Resenhas sobre A HORA DA ESTRELA

- Sonhando Através das Palavras / https://bit.ly/3L3mBcd

- Vortex Cultural / https://bit.ly/3YWkA7w

- PIMENTEL, Rossana Kátia. Resenha - A Hora da Estrele (contém spoilers). Disponível em: bibliotecapublica.mg.gov.br / https://bit.ly/44zkRP4

- DANTAS, Eriane. [Resenha] A Hora da Estrela. Disponível em: Histórias Sem Mim / https://bit.ly/44ujXmN


Ultima entrevista com Clarice Lispector dada ao jornalista Junio Lerner para o programa Panorama em 1977

(Fonte: canal Israel Barros - YouTube / https://bit.ly/47UnnSZ)

Vídeo-resenhas sobre A HORA DA ESTRELA

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

(Fonte: canal Ler Antes de Morrer - YouTube / https://bit.ly/3L8wxkP)


A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
(Fonte: Tergiverso - Canal Literário - YouTube / https://snip.ly/ny9q9c

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
(Fonte: canal Vra Tatá - YouTube / https://snip.ly/os8cjj)

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector
(Fonte: canal Ana Lis Soares - YouTube / https://snip.ly/dt9vmh)

QUEM FOI CLARICE LISPECTOR?

De uma fuga em busca de sobrevivência até uma autora consagrada. Clarice Lispector é um dos maiores nomes da literatura brasileira. Sua obra é, por vezes, comparada a de Franz Kafka, escritor tcheco, autor de “A Metamorfose”.

A autora fez parte da terceira geração modernista, a chamada “geração 45”. E foi uma das primeiras autoras do seu tempo a ganhar notoriedade nacional, ao lado de outros nomes consagrados como Rachel de Queiroz e Cecília Meireles.

Sua narrativa quebrou a sequência, até então, padronizada, de começo, meio e fim. Utilizando características da prosa e as misturando com métodos da poesia, Clarice deixava os pensamentos de seus personagens dominarem a narrativa.

A ordem cronológica também foi redimensionada, devido à fusão de prosa e poesia. Como em sua primeira obra publicada, “Perto do Coração Selvagem”, que esmiúça o interior de Joana causando impacto a quem lê.

Infância, juventude e primeiros passos literários de Clarice Lispector.

Foto: iMS

Poucos sabem, mas Clarice Lispector não nasceu no Brasil. Em 1920, na aldeia Tchetchelnik, Ucrânia, a filha de Pinkouss e Mania Lispector veio ao mundo. Seus pais eram de origem judaica e precisaram fugir para o Brasil devido a perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa.

Nem sempre seu nome foi Clarice Lispector, o primeiro nome que ela recebeu foi Haya Pinkhasovna Lispector. Quando ela, aos dois meses de idade, e sua família chegaram ao Brasil, seu pai decidiu que todos mudariam de nome. Nesse momento, o Brasil ganhou um dos maiores nomes de sua literatura.

Vale ressaltar que Clarice sempre salientava não ter nenhuma espécie de ligação com a Ucrânia – “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo” - ela dizia que a sua verdadeira pátria era o Brasil.

Clarice passou a infância no Bairro da Boa Vista, em Recife. Fez o curso primário no grupo escolar João Barbalho. Além de estudar inglês e francês, cresceu ouvindo o idioma de seus pais, o iìdiche. Estudou no melhor colégio público da cidade, o Ginásio Pernambucano e desde esse período já escrevia seus primeiros contos.

Clarice com os filhos Pedro e Paulo, na praia

Aos 12 anos foi com sua família para o Rio de Janeiro, onde residiu no Bairro da Tijuca. Em 1941, ingressou na Faculdade Nacional de Direito e conseguiu uma vaga como redatora na “Agência Nacional”, tempos depois, passou para o jornal “A Noite”. Já em 1942, casou-se com Maury Gurgel Valente, seu colega de universidade da turma de direito.

Um de seus maiores sucessos literários, “Perto do Coração Selvagem”, foi encaminhado para os dirigentes do jornal “A Noite”. O livro acabou sendo publicado, após insistência de jornalistas e foi recebido com imenso êxtase no meio literário. Devido a isso, Clarice foi comparada a importantes escritores europeus como Virginia Woolf, James Joyce, Jean-Paul Sartre e Marcel Proust. 

Dos muitos conflitos que a autora passou, em 1966, ocorreu um de seus maiores martírios. Clarice sofreu diversas queimaduras pelo corpo, principalmente nas mãos, devido a um incidente ocasionado por um de seus cigarros.

Como foi a vida profissional de Clarice Lispector?

Foto: Acervo Pessoal Rocco / Divulgação
Clarice Lispector não foi somente escritora, a influente autora do século XX, dominava cerca de sete idiomas.  Traduziu diversos contos e artigos, além de livros de variados gêneros e escritores.

Em 1941, antes de iniciar sua carreira literária, trabalhou na revista “Vamos Ler!”, como repórter e atuou, também, na área de traduções. Sua primeira tradução foi a do conto “Le missionaire”, de Claude Farrère.

A autora trocou diversas correspondências com amigos escritores brasileiros, entre eles Manuel Bandeira. Essas cartas estão reunidas em diversas coletâneas e tornaram-se extensão de suas obras.

Clarice não apenas traduziu obras, mas também teve as suas traduzidas para mais de dez idiomas. Seus livros mais traduzidos foram os seguintes romances: A Hora da Estrela; A Paixão segundo G.H.; Perto do Coração Selvagem; Laços de Família; e Uma Aprendizagem ou O livro dos Saberes.

Clarice e o marido, Maury Gurgel Valente em Veneza, Itália
O casamento de Clarice com um diplomata a fez viver em diversos países, fato que, às vezes, lhe causava certa melancolia. Clarice nunca escondeu a falta que sentia do Brasil.

Não apenas suas obras literárias, a escritora nos deixou um vasto acervo de publicações, incluindo as publicadas em jornais e revistas. A autora nunca se importou com as críticas e sempre fez questão de deixar claro que a sua relação com a escrita não era de um mero trabalho, segundo ela:

“Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada… Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro…”.

Como Clarice Lispector morreu? (ÚLTIMA OBRA)

Citação da obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector.

“O fato é que tenho nas minhas mãos um destino e, no entanto, não me sinto com o poder de livremente inventar. Sigo uma oculta linha fatal. Sou obrigado a procurar uma verdade que me ultrapassa.”

Em 1977 Clarice Lispector escreveu a que seria sua última publicação em vida, o livro “A Hora da Estrela”, no qual narra a história de Macabéa, uma jovem alagoana que passa a residir no Rio de Janeiro.

Olhe que interessante! Você pode curtir um fim de semana e estudar para o Enem. É só preparar a pipoca e assistir a versão cinematográfica de a “Hora da Estrela”, que foi dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistando um dos maiores prêmios do festival de cinema de Brasília e consagrando a atriz Marcélia Cartaxo com o troféu Urso de Prata em Berlim, 1986.

Clarice Lispector faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, devido a um câncer de ovário. Durante o período que lutou contra o câncer escreveu “Um Sopro de Vida”, obra publicada postumamente.  Seu corpo está sepultado no cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro. [...]

(Fonte: beduka.com / https://snip.ly/wmhriz)

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Livro da Semana: PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM, de Clarice Lispector

Nascida no Império Russo, em uma família de judeus-russos que vivia em uma região que hoje pertence à Ucrânia, Clarice Lispector, filha mais nova de três irmãs, emigrou com a família para o Brasil aos 2 anos de idade, em 1922. Perto do Coração Selvagem, publicado em 1943, logo após a escritora se casar e terminar seu curso de Direito, 
foi seu primeiro romance, o qual ganhou o Prêmio Graça Aranha como melhor romance do ano. Clarice agregou muita cultura e conhecimento a seu talento como escritora, pois teve oportunidade de viver em vários países do mundo (Itália, Suiça, Inglaterra, EUA) acompanhando seu marido, que era cônsul. Pôs-se a escrever, talvez para tirar da alma aquilo que povoava seus sonhos, seus mais profundos desejos e questionamentos, aquilo que não se pode explicar com simples frases ou mera racionalidade, aquilo que, mesmo oculto, anseia por ser expresso de alguma maneira e ganhar vida. Muitos estudos acadêmicos comparam Clarice a escritores como Fiódor Dostoiévski, Franz Kafka, James Joyce, Wirginia Wolf, Herman Hesse, Guimarães Rosa, Julio Cortázar, Gabriel Garcia Márquez, Machado de Assis, Honoré de Balzac, Augusto dos Anjos, Jean Genet, Simone de Beauvoir entre tantos outros que seguem a mesma linha de investigação e exposição da alma humana em sua essência e profundidade, em sua sombra e luz e, também, em sua sensatez e seu delírio, em sua leveza e densidade, em sua feiura e beleza. Como sempre, as obras de Clarice impõem certa dificuldade aos críticos e estudiosos da literatura em classificá-las. Este romance, por exemplo, pode ser classificado como romance de formação, romance psicológico, romance de aproximação com o narrador, e muitas outras classificações. Na verdade, Clarice Lispector nunca gostou dessas classificações e pouco se importava com isso. O que realmente importava era dar voz aos pensamentos, alegrias e angústias, aos sonhos e pesadêlos, na viagem do auto-conhecimento, que nunca termina. 
(Texto: André Luiz Gattás)

Abaixo, trechos de uma ótima resenha sobre esta obra

"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.” (pág. 60)
“E ela, solitária como o tique-taque de um relógio numa casa vazia. […] Sozinha no mundo, esmagada pelo excesso de vida, sentindo a música vibrar alta demais para um corpo.” (pág. 116)
"Clarice Lispector no seu romance de estreia “Perto do Coração Selvagem” alcança o que mais nenhum autor de sua época almejou: a descoberta das particularidades do sentir e do ser. Ao revelar-nos o pulsar das necessidades aprisionadas e desnudar os pensamentos e os desejos de um coração selvagem, pela voz da personagem Joana, mostra a força do seu romance psicológico, explorando os cantos mais obscuros do coração e da mente humana."
[...]
(Fonte: gotasdeepifania.wordpress.com / https://snip.ly/abnbwo)

Outras Resenhas Sobre "PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM"

- HOLANDA, Gabriela. Perto do Coração Selvagem: Clarice, Joana e a sede de liberdade. Disponível em: Delirium Nerd (25/06/2020) / https://snip.ly/41i3ku

- NASCIMENTO, Adriana R. do. Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector. Disponível em: Leitor Cabuloso (17/06/2019) / https://snip.ly/iojdlp 

- BENGOZI, Bruna. Cem anos de Clarice Lispector: estamos perto do coração selvagem da vida? Disponível em: Livro&Café / https://snip.ly/krotjg

- ZASSO, Bianca. Perto do Coração Selvagem - Somos Todas Joanas! Disponível em: Formiga Elétrica (30/07/2019) / https://snip.ly/9spt6e

Vídeo-Resenhas Sobre "PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM"

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
(Fonte: canal Julia Leal - YouTube / https://snip.ly/zyb28o

O primeiro romance de Clarice Lispector
(Fonte: canal Página 99 - YouTube / https://snip.ly/2l4btb)

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
(Fonte: canal Junior Costa - YouTube / https://snip.ly/xd8pmm)

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
(Fonte: canal Diego Cardoso - Di Cultura / YouTube / https://snip.ly/katoeu)

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
(Fonte: canal Ana Lis Soares - YouTube /https://snip.ly/yax2ow)

Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
(Fonte: canal Lidos e Curtidos - YouTube /https://snip.ly/boqimo)

QUEM FOI CLARICE LISPECTOR?

[...]

Infância e Adolescência
Clarice Lispector nasceu na aldeia de Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920. Era filha de Pinkouss e Mania Lispector, casal de origem judaica que fugiu de seu país diante da perseguição aos judeus durante a Guerra Civil Russa.
Ao chegarem ao Brasil, fixaram residência em Maceió, Alagoas, onde morava Zaina, irmã de sua mãe. Clarice tinha apenas dois meses de idade. Por iniciativa de seu pai, todos mudaram o nome. Nascida Haya Pinkhasovna Lispector, passou a se chamar Clarice.
Depois, a família mudou-se para a cidade do Recife, onde Clarice passou sua infância no Bairro da Boa Vista.
Aprendeu a ler e escrever muito nova e logo começou a escrever pequenos contos.
Foi aluna do grupo escolar João Barbalho, onde fez o curso primário. Estudou inglês e francês e cresceu ouvindo o idioma dos seus pais, o iídiche. Ingressou no Ginásio Pernambucano, o melhor colégio público da cidade.
Com 12 anos, Clarice mudou-se com a família para o Rio de Janeiro indo morar no Bairro da Tijuca. Ingressou no Colégio Sílvio Leite onde terminou o ginasial. Era frequentadora assídua da biblioteca.
Em 1941, Clarice ingressou na Faculdade Nacional de Direito e empregou-se como redatora da "Agência Nacional". Depois, passou para o jornal "A Noite". Em 1943 casou-se com o amigo de turma, Maury Gurgel Valente. Em 1944 formou-se em direito.

Primeiro livro
Em 1944, Clarice publicou seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, que retrata uma visão interiorizada do mundo da adolescência, que abriu uma nova tendência na literatura brasileira.
O romance provocou verdadeiro espanto na crítica e no público da época. Sua narrativa quebra a sequência de começo, meio e fim, assim como a ordem cronológica, e funde a prosa à poesia.
A obra Perto do Coração Selvagem teve calorosa acolhida da crítica e, no mesmo ano, recebeu o Prêmio Graça Aranha.

Viagens e novas publicaçõe

Clarice Lispetcor e seu marido,
o diplomata Maury Gurgel Valente, em Berna, Suíça, 1946
(Foto: acervo Clarice Lispector / Instituto Moreira Salles)
Ainda em 1944, Clarice Lispector acompanhou seu marido – diplomata de carreira, em viagens fora do Brasil. Sua primeira viagem foi para Nápoles, na Itália. Com a Europa em guerra, Clarice ingressou, como voluntária, na equipe de assistentes de enfermagem do hospital da Força Expedicionária Brasileira.
Em 1946, morando em Berna, Suíça, publicou O Lustre. Em 1949 publicou A Cidade Sitiada. Nesse mesmo ano, nasceu seu primeiro filho, Pedro. Dedicou-se a escrever contos e em 1952 lançou Alguns Contos.
Depois de seis meses na Inglaterra, em 1954, o casal foi para Washington, Estados Unidos, onde nasceu seu segundo filho, Paulo. Nesse mesmo ano, seu livro Perto do Coração é publicado em francês.

Jornalismo e Literatura Infantil
Em 1959, Clarice se separou do marido e retornou ao Rio de Janeiro, acompanhada de seus dois filhos. Logo começou a trabalhar no "Jornal Correio da Manhã", assumindo a coluna "Correio Feminino".
Em 1960 trabalhou no "Diário da Noite" com a coluna "Só Para Mulheres" e nesse mesmo ano lançou Laços de Família, um livro de contos que recebeu o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.
Em 1967 publicou O Mistério do Coelhinho Pensante, seu primeiro livro infantil, que recebeu o Prêmio Calunga, da Campanha Nacional da Criança.
Nesse mesmo ano, ao dormir com um cigarro aceso, Clarice Lispector sofreu várias queimaduras no corpo e na mão direita. Passou por várias cirurgias e viveu isolada, sempre escrevendo. No ano seguinte publicou crônicas no Jornal do Brasil.
Clarice passou a integrar o Conselho Consultivo do Instituto Nacional do Livro. Era considerada uma “pessoa difícil”. Em 1976, pelo conjunto de sua obra, Clarice ganhou o primeiro prêmio do X Concurso Literário Nacional de Brasília.

Última Publicação em Vida
A versão cinematográfica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores prêmios do festival de cinema de Brasília e deu à atriz Marcélia Cartaxo, que fez o papel principal, o troféu Urso de Prata em Berlim em 1986.
Em 1977, Clarice Lispector escreveu Hora da Estrela, sua última obra publicada em vida, no qual conta a história de Macabéa, uma moça do interior em busca de sobreviver na cidade grande.

Características da obra de Clarice Lispector
Clarice Lispector fez parte da “Terceira Geração Modernista” ou “Geração de 45” - época de renovação das formas de expressão literária na prosa e, principalmente, nos gêneros conto e romance.
Em busca de uma linguagem especial para expressar paixões e estado da alma, a escritora utilizou recursos técnicos modernos como a análise psicológica e o monólogo interior.
Clarice Lispector é considerada uma escritora intimista e psicológica, mas sua produção acaba por se envolver também em outros universos, sua obra é também social, filosófica e existencial.
As histórias de Clarice raramente têm um começo meio e fim. Sua ficção transcende o tempo e o espaço, e os personagens, postos em situações limite, são com frequência femininas, quase sempre situadas em centros urbanos.
Clarice Lispector nunca aceitou o rótulo de escritora feminista. Apesar disso, muitas de suas obras, romances e contos têm como protagonistas personagens femininas, entre elas: Joana, de Perto do Coração Selvagem, Virgínia, de O Lustre, Lucrécia Neves, de A Cidade Sitiada e Macabéa, de A Hora da Estrela. 

As cartas de Clarice
Clarice Lispector viveu quase duas décadas fora do Brasil e escreveu muitas cartas aos amigos, e com olhar cosmopolita, fala nas correspondências sobre os absurdos do cotidiano, as agruras da condição humana e as banalidades da vida. Suas cartas foram reunidas na obra Todas as Cartas publicada em 2020.
A amizade que manteve com o escritor Fernando Sabino também foi registrada no livro “Cartas Perto do Coração” (2001), que revela uma profunda ligação entre os dois. As cartas dela foram enviadas de Berna e de Washington, onde morou. Nelas, Clarice revela uma série de frustrações por estar longe de casa.
Clarice Lispector faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977, vítima de um câncer de ovário, um dia antes de seu aniversário. Seu corpo foi sepultado no cemitério Israelita do Caju.
[...]

(Fonte: FRAZÃO, Dilva. Clarice Lispector - Escritora e Jornalista Brasileira. Disponível em: ebiografia.com / https://snip.ly/xf8xaf)

ANO 2024 - Bem-vindos!

CARDÁPIO DO MÊS - Abril 2024

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são sel...