quinta-feira, 16 de julho de 2020

LIVROS DA SEMANA: O SURGIMENTO DOS PÁSSAROS e A ÁRVORE DE CANTOS, textos organizados por Anne Ballester Soares com base em depoimentos de pajés da etnia Parahiteri

O seguimento
Yanomami da Coleção Mundo Índígena — O SURGIMENTO DOS PÁSSAROS, A ÁRVORE DE CANTOS, OS COMEDORES DE TERRA e O SURGIMENTO DA NOITE,  reúne quatro cadernos de histórias dos povos Yanomami, que formam juntos O livro das transformações contadas pelos Yanomami do grupo Parahiteri .
Na temporalidade própria das histórias, seres que hoje são animais e espíritos eram gente Yanomami. Trata-se da origem do mundo de acordo com os saberes deste povo, explicando como, aos poucos, ele veio a ser como é hoje.
Os Yanomami habitam grande extensão da floresta amazônica, que cobre parte de Roraima, Amazonas e Venezuela. Sua população é estimada em 35 mil pessoas, que falam quatro línguas diferentes: yanomae , ninam , sanuma e xamatari, pertencentes a um pequeno tronco linguístico isolado.
As comunidades Ajuricaba , do rio Demini, Komixipiwei , do rio Jutaí, e Cachoeira Aracá , do rio Aracá gravaram e transcreveram todas as histórias contadas por seus pajés. A primeira tradução, feita com a ajuda de dois professores Yanomami, foi iniciada a partir destas gravações — sendo então, posteriormente, adaptada para o português. Em 2013, a Editora Hedra propôs a essas mesmas comunidades uma edição para apresentar suas histórias tradicionais ao grande público.
1. O SURGIMENTO DOS PÁSSAROS é iniciado com a seguinte frase: "Como se chamava aquele que dividiu a terra, quando, no início, os Yanomami ainda não praticavam esse ritual; que, em seguida, se tornou líder e deu a terra? Ele tem nome. Aquele que mostrou o kawaamouse chamava Gavião".
2. A ÁRVORE DOS CANTOS é iniciado com a seguinte frase: "Nós vamos cantar. No início, não havia canto, não havia, ninguém cantava. Onde se erguia a árvore dos cantos, os dois foram caçar. Dois moços Wakusitari – dois não, um só moço, que a descobriu em sua região".
3. OS COMEDORES DE TERRA é iniciado com a seguinte frase: "Essa é a história dos nossos antepassados que aos poucos se multiplicaram. Ela começa na época em que não havia Yanomami como os de hoje. Os comedores de terra sofriam, porque eles comiam terra. Nós também quase teríamos sofrido, como as minhocas, por cavar a terra e tomar vinho de barro, se não fossem os acontecimentos que seguem".
4. O SURGIMENTO DA NOITE é iniciado com a seguinte frase: "Esta é a verdadeira história de nosso surgimento: quando a floresta era virgem, apareceu Horonami , personagem principal de nossa história, por causa de seus ensinamentos. O grande pajé yanomami Horonami surgiu dele mesmo; surgiu ao mesmo tempo que esta floresta e foi quem ensinou os Yanomami a morar nela".
(Fonte: travessa.com.br) 
Nota: No momento, temos em nosso acervo da Sala de Leitura somente os dois primeiros livros desta coleção.
(fonte imagem: landportal.org)

                                          (fonte imagem: pib.socioambiental.org)     
               
(Fonte imagem: pinterest.com)

Quem é Anne Ballester Soares

Anne Ballester Soares, organizadora da série de livros yanomani da nossa Coleção Mundo Indígena, é a co-fundadora da ONG Rios Profundos, que em parceria com a Associação Yanomami Kurikamaa Fábrica de Cinema e a Escola Xapomi, formou o Xapono - Núcleo Audiovisual Yanomami, um centro de produção, formação e discussão sobre vídeo e cinema como ferramentas de produção de narrativas de reinvindicação, luta e imaginação de e para os povos indígenas. O Núcleo lançou uma nova campanha para fortalecer os trabalhos realizados em 2016. Toda ajuda é bem vinda!

Para mais informações, acesse https://goo.gl/ZUrECs
(Fonte: https://bitlybr.com/YYgeWRW - Facebook - Editora Hedra) 

Assista a um vídeo curto, produzido pelo Núcleo Audiovisual Yanomami, onde o indígena relata sobre os problemas que enfrentam por conta do contato com os homens brancos.
(Fonte: https://www.catarse.me/Xapono     


quinta-feira, 9 de julho de 2020

MÚSICA E LITERATURA

Embora, nos dias de hoje, música e literatura pareçam duas artes isoladas, cada uma independente da outra, na verdade, sempre foram artes complementares. Lá na Grécia Antiga, quando não havia texto impresso e, portanto, ele dependia da oralidade, a música sempre o acompanhava. No período helenístico, a poesia lírica era cantada por um poeta solo acompanhado por músicos ou por um coro.  Assim, percebemos que naqueles longínquos tempos, o ato solitário da leitura não existia. Isso só passou a acontecer, porém ainda mesclado com a música e a leitura em voz alta de textos, a partir do advento da imprensa, inventada por Gutemberg*, em 1430, na Idade Média, onde passamos a ver a figura do trovador, um misto de poeta e músico, que viajava pelos vilarejos e países cantando suas canções satíricas ou sacras. Se quer saber mais sobre essa história de amizade entre essas duas grandes artes acesse o link https://bityli.com/1wKNR para ler o artigo A Antiga E Íntima Relação Entre Literatura E Música, escrito por Thainara Amorim e Thamara Amorim.

*Para saber mais sobre a invenção da máquina de impressão: https://bityli.com/b7Qjh


É muito comum na música popular vermos poesias musicalizadas e transformadas em canções. Vamos conhecer alguns exemplos brasileiros? 
1. MOTIVO (Cecília Meireles / Fagner)
Eu canto, porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Não sou alegre nem sou triste, sou poeta
Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias no vento
Se desmorono ou se edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei se fico ou passo
Eu sei que eu canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia eu sei que estarei mudo, mais nada 


2. Canção Amiga (Carlos Drummond de Andrade / Milton Nascimento)
Eu preparo uma canção
Em que minha mãe se reconheça
Todas as mães se reconheçam
E que fale como dois olhos

Caminho por uma rua
Que passa em muitos países
Se não me veem, eu vejo
E saúdo velhos amigos

Eu distribuo um segredo
Como quem ama ou sorri
No jeito mais natural
Dois carinhos se procuram

Minha vida, nossas vidas
Formam um só diamante
Aprendi novas palavras
E tornei outras mais belas

Eu preparo uma canção
Que faça acordar os homens
E adormecer as crianças


3. O Outro (Mário de Sá Carneiro / Adriana Calcanhotto)
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.

terça-feira, 7 de julho de 2020

LIVRO DA SEMANA: KINDRED - Laços de Sangue, de Octavia E. Butler

"KINDRED: A LEITURA FÁCIL DE UM LIVRO DIFÍCIL - Ler Kindred faz a gente sentir a dor como se pudesse ser com a gente, como se estivesse acontecendo conosco".
É com esse título e subtítulo intrigante e forte que tem início o artigo de opinião escrito pela jornalista de um famoso site de  notícias da área literária, prendendo instantaneamente nossa a atenção para o livro em questão. Logo que este livro foi posto na estante da Sala de Leitura de nossa escola ele foi emprestado por uma aluna que o leu em uma semana, aproximadamente, e ao devolvê-lo fez vários elogios. Depois, ao ser emprestado por outros alunos, vieram mais elogios! Vamos conhecer uma pouco mais sobre essa obra literária e sua autora através do vídeo a seguir e também do artigo mencionado acima. 
(Fonte: YouTube, canal PAM GONÇALVES. Título: Kindred - um livro SENSACIONAL! 20/04/2018)

Biblioo 

KINDRED: A LEITURA FÁCIL DE UM LIVRO DIFÍCIL

"Ler Kindred faz a gente sentir a dor como se pudesse ser com a gente, como se estivesse acontecendo conosco"
Link para ler o artigo: https://bit.ly/2ZK0CyE

Quem é OCTAVIA E. BUTLER?

A Autora: Octavia Butler filha de um engraxate e uma empregada doméstica, a Grande Dama da Ficção Científica nasceu na Califórnia, em 1947. Aos 12 anos, assistiu ao filme “A Garota Diabólica de Marte”, que era tão ruim, mas tão ruim, que mudou completamente sua vida. Octavia decidiu que contaria histórias melhores do que aquela e assim começou sua jornada como escritora. A autora precisou lutar contra a pobreza, a dislexia e o racismo para receber um diploma universitário e foi a primeira mulher negra norte-americana a conquistar o sucesso em uma área da literatura dominada por homens: a ficção científica. 

Ao longo de sua carreira, foi laureada com o MacArthur Fellowship, Hugo, Nebula e Locus Awards, além de ser indicada mais de 20 vezes à prêmios. Representava em seus livros heroínas negras e explorava temas como raça, empoderamento feminino, divisão de classe, sexualidade e escravidão. Em 2010, quatro anos após sua morte, foi inserida no Hall da Fama da Ficção Científica, em Seattle. Sua obra continua tão relevante, que ainda hoje é objeto de estudo e seu trabalho e vida ganharam uma magnifica exposição na The Huntington Library, na Califórnia. (https://bit.ly/3fa8YpU) (Fonte: site Leitor Compulsivo, artigo de Jeff Rodrigues publicado em 3 de janeiro de 2018)




"Comecei a escrever sobre poder já que eu tinha tão pouco dele" - Octavia E. Butler



quinta-feira, 2 de julho de 2020

QUIZ SOBRE SAÚDE: FATO OU FAKE?


Será que você está realmente bem informado quanto às atitudes e hábitos que deve adotar para evitar a contaminação sua e de outras pessoas? Responda a 20 afirmações sobre a COVID-19 e descubra neste game quão seguro você está. 

quarta-feira, 1 de julho de 2020

LIVROS DA SEMANA: HQs CUMBE e ANGOLA JANGA, de Marcelo D'Salete

O romance CUMBE é constituído por quatro histórias sobre esperança e resistência dos escravos durante o período colonial brasileiro. Marcelo D'Salete é um escritor conhecido pelo fato de não ter medo de mostrar o lado feio da sociedade e nestas histórias, ao retratar um período histórico de trezentos anos cheios de violência e injustiças, deixa o macro sobre o assunto para as escolas, com suas meias verdades e abordagens superficiais do tema, e parte para o micro, contando histórias de personagens específicos com suas dores e atos de enfrentamento contra o sistema social opressivo que vivenciavam. É através do drama da vida desses personagens que o leitor acaba se aproximando desse passado de nosso país e ampliando sua visão de mundo. Como a história apresenta muitos palavras de origem africana há um glossário no final do livro para facilitar a compreensão e também uma bibliografia da pesquisa realizada pelo autor para construir sua obra literária. Temos um exemplar dessa obra em nossa Sala de Leitura, na seção de HQS. Se quiser saber mais sobre essa obra acesse http://www.universohq.com/reviews/cumbe/

Muitos de vocês já devem ter estudado sobre o Quilombo de Palmares nas aulas de História do Brasil, não é mesmo? Na verdade, seu nome original era Angola Janga, que significa pequena Angola e foi um verdadeiro reino africano dentro do Brasil, com população equivalente às das grandes cidades brasileiras da época e que durou mais de cem anos. Foi um reduto de resistência de escravos fugitivos contra os ataques dos holandeses e portugueses, liderados por Zumbi, mais conhecido como Zumbi dos Palmares. D'Salete não romantiza ou dá status mitológico aos personagens mais importantes  dessa história, tais como Ganga Zumba e Zumbi, mas ao contrário, os retrata como líderes fortes, porém humanos e com falhas. Esta obra ganhou vários prêmios e várias edições internacionais. Temos um exemplar dessa obra em nossa Sala de Leitura, na seção de HQS. Para saber mais sobre a mesma acesse http://www.universohq.com/reviews/angola-janga-uma-historia-de-palmares/

Quem é Marcelo D'Salete?

Marcelo D'Salete (São Paulo1979) é um quadrinista, ilustrador e professor brasileiro. É mestre em história da arte pela Universidade de São Paulo. Durante a adolescência, fez curso de design gráfico no colégio Carlos de Campos e trabalhou como ilustrador para editoras. Estreou como quadrinista em 2001, publicando nas revistas Quadreca e Front.

Sua primeira graphic novelNoite Luz, foi publicada em 2008, pela editora Via Lettera. Em 2011, publicou a história em quadrinhos Encruzilhada, pela editora LeYa.

Suas obras mais aclamadas tratam da história da resistência à escravidão no Brasil pela ótica dos povos negrosCumbe, de 2014, e Angola Janga de 2017, ambas publicadas pela editora VenetaAngola Janga, uma história sobre o Quilombo dos Palmares, levou onze anos de pesquisa e criação pelo autor.

Prêmios

D'Salete foi indicado ao Troféu HQ Mix em 2012 na categoria Edição Especial Nacional por Encruzilhada e em 2015 nas categorias Desenhista NacionalRoteirista Nacional e Edição Especial Nacional por Cumbe. Em 2018 o autor ganhou o troféu na categoria Desenhista Nacional, Roteirista Nacional e Destaque Internacional, e Angola Janga foi premiada na categoria Edição Especial Nacional. No mesmo ano, Angola Janga ganhou o 60º Prêmio Jabuti na categoria História em Quadrinhos.

A edição norte-americana de Cumbe, traduzida para o inglês como Run for It, venceu o prêmio Eisner de melhor edição americana de material estrangeiro em 2018.  (Fonte: wikipedia.org)

ANO 2024 - Bem-vindos!

CARDÁPIO DO MÊS - Abril 2024

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são sel...