sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Cardápio do Mês: 3º bimestre (julho/agosto/setembro)


O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são selecionadas por diferentes critérios, tais como: gênero literário, escola literária, temas, datas temáticas etc. Esse display fica exposto no revisteiro da SL, logo à entrada da sala. Neste mês, estão expostas as obras literárias que serão trabalhadas nas aulas de Língua Portuguesa do 3º bimestre para as três séries do Ensino Médio.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Cardápio do Mês - maio/junho

 

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são selecionadas por diferentes critérios, tais como: gênero literário, escola literária, temas, datas temáticas etc. Esse display fica exposto no revisteiro da SL, logo à entrada da sala. 

Neste mês, estão expostas somente as obras literárias da TRILHA ANTIRRACISTA pertencente ao nosso acervo.

O QUE É A TRILHA ANTIRRACISTA

Os títulos que compõem a TRILHA ANTIRRACISTA foram enviados pela primeira vez às escolas estaduais em 2021 pela Secretaria Estadual de Educação com o objetivo de incentivar e fortalecer o hábito da leitura e também subsidiar em termos de conteúdo e promover o debate sobre o racismo estrutural. São vários títulos que variam entre a temática étnico-racial, literatura e conteúdo técnico.

São leituras consideradas como fundamentais para as etapas de formação e desenvolvimento dos alunos aumentando as condições de igualdade e a ampliação do conhecimento. Os livros nos fornecem aprendizados, vocabulário e notoriedade para debater muitos assuntos da história ou atuais, inclusive aqueles que combatemos diariamente, como qualquer forma de preconceito e discriminação.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Cardápio do Mês: Fevereiro / HQs

O projeto CARDÁPIO DO MÊS tem por objetivo chamar a atenção dos usuários da Sala de Leitura para determinadas obras que a cada mês são selecionadas por diferentes critérios, tais como: gênero literário, escola literária, temas, datas temáticas etc. Esse display fica exposto no revisteiro da SL, logo à entrada da sala. 

Neste mês de fevereiro fizemos um display com HQs de quadrinistas consagrados internacionalmente. Vamos conhecer uma pouco sobre eles.

Quino

Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino, foi um pensador, historiador, gráfico e cartunista argentino conhecido, principalmente, por uma de suas personagens de quadrinhos, a famosa Mafalda. Ele nasceu em Mendoza, em julho de 1932 e era filho de imigrantes espanhóis da Andaluzia. Desde cedo, foi chamado pelos familiares pelo apelido com que é conhecido – Quino - para diferenciá-lo de seu tio homônimo e também desenhista, com quem já aos 3 anos de idade aprendeu o gosto pela arte.

Art Spiegelman

Arthur Spiegelman nasceu em Estocolmo, na Suécia, em 1948, em uma família judia. Ainda criança foi viver nos EUA. Ao longo de sua vida tem trabalhado como ilustrador, cartunista e autor de histórias em quadrinhos. Atuou durante a década de 1990 na produção de charges, ilustrações e capas para revista novaiorquina The New Yorker. Duas de suas obras mais conhecidas são a semibiográfica Maus e a coletânea de tiras em quadrinhos In the Shadows of No Towers. Em 1992 Spiegelman ganhou o prêmio Pulitzer.

Will Eisner

Nascido no Brooklin, em Nova Iorque, em 1917, William Erwin Eisner, foi um renomado quadrinista americano, que durante seus mais de setenta anos de carreira, atuou em diversas áreas que incluem como desenhista, roteirista, arte-finalista, editor, cartunista, empresário e publicitário. Foi criador de personagens famosos de histórias em quadrinhos como Spirit, Condor Negro, Falcão Negro, Flama, Doll Man, Tio Sam, entre outros. 

Neste Cardápio do Mês, o primeiro de 2025,  além desses quadrinistas famosos, temos vários outros que se dedicaram a desenhar as histórias dos clássicos da literatura universal.


QUADRINISTAS FAMOSOS
Toda Mafalda– Da Primeira à Última Tira (Quino)
10 Anos com Mafalda (Quino)
New York – A Vida na Grande Cidade (Will Eisner)
Pequenos Milagres (Will Eisner)
Maus – História Completa (Art Spiegelman)

SANDMAN de Tony Lee, foi ilustrado por Sam Hart e colorido por Artur Fujita
Sandman é uma publicação em série de história em quadrinhos para adultos (banda desenhada em Portugal), escrita por Neil Gaiman e publicada pela Vertigo (selo da DC Comics) em 1989, que descrevem a vida de Sonho - o senhor dos sonhos e governante do Sonhar (o mundo dos sonhos e sua interação com o universo, os humanos e outras criaturas.
Descrita como "história em quadrinhos para intelectuais" pelo expoente do jornalismo literário Norman Mailer, Sandman foi a primeira HQ multipremiada a entrar na lista dos best-sellers literários do The New York Times.
Entre os muitos ilustradores que já trabalharam nesta publicação, incluem-se Bill Sienkiewicz, Dave McKean, Sam Kieth, Charles Vess, Miguelanxo Prado, Jill Thompson, J. H. Williams III, Milo Manara, Mike Dringenberg, Shawn McManus, Marc Hempel e Michael Zulli.

MARVELS
Stan Lee foi um dos principais autores de personagens da Marvel, em parceria com grandes artistas. Foi um escritor, editor, publicitário, produtor, diretor, empresário e ator Criou vários personagens que protagonizaram mega-franquias Criou o Quarteto Fantástico em 1961, com Jack Kirby; criou o Espetacular Homem-Aranha, em 1962, com Steve Ditko; criou outros personagens, como o Coisa, a Tocha Humana, a Mulher Invisível e o Senhor Fantástico Rob Liefeld e Fabian Nicieza. Criaram o mutante Wade Wilson, nos anos 90. Wade Wilson foi criado como uma espécie de “cópia” do "Slade Wilson", o vilão Exterminador, da editora rival DC Comics. Martin Goodman fundou a Marvel Comics por volta de 1930 e 1940, com o nome de Timely Comics.


Clássicos da Literatura Universal Adaptados para HQ
O Velho e o Mar (Ernest Hemingway)
Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
Os Miseráveis (Victor Hugo)
As Aventuras de Tom Sawyer (Mark Twain)
Os Lusíadas(Luís de Camões)
Dom Quixote (Miguel de Cervantes)
Sonho de uma Noite de Verão (William Shakespeare)
A Tempestade (William Shakespeare)
Frankenstein (Mary Shelley)
A Divina Comédia (Dante Alighieri)
Odisseia (Homero)


ROBIN HOOD – A Lenda de um Foragido (vários autores)
Existem vários autores que escreveram sobre Robin Hood, incluindo Alexandre Dumas e Howard Pyle.
Alexandre Dumas (1802-1870) foi um romancista francês que escreveu O Príncipe dos Ladrões e O Proscrito, dois volumes sobre Robin Hood. Dumas é também autor de Os Três Mosqueteiros e O Conde de Monte Cristo.
Howard Pyle
Howard Pyle (1853-1911) foi um escritor e ilustrador norte-americano que publicou As Aventuras de Robin Hood em 1883. Esta é a versão mais conhecida e consagrada da história de Robin Hood.
William Langland
Robin Hood foi citado pela primeira vez na literatura em 1377, em seu poema Piers Plowman.

ASTERIX
Asterix é uma série de histórias em quadrinhos criada na França por René Goscinny e Albert Uderzo no ano de 1959, baseada no povo gaulês e em grande parte no tempo do seu grande chefe guerreiro Vercingetorix.
As histórias de Asterix foram traduzidas até o momento para 83 línguas e 29 dialetos, incluindo o português e o mirandês, sendo muito populares na Europa, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, América Latina, África e Ásia. Já foram lançados 35 álbuns que venderam 350 milhões exemplares em todo o planeta, um dos quais é uma compilação de histórias curtas. Asterix também inspirou 13 adaptações para cinema (9 de animação e 4 de imagem real), jogos, brinquedos e um parque temático.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

SEJA BEM-VINDO AO BLOG DA SL - 2025

 

Bem-vindos ao Blog da Sala de Leitura! 

Este espaço virtual foi criado especialmente para você, estudante do Ensino Médio, que tem por objetivo a busca por uma formação completa em relação aos seus conhecimentos, visão de mundo, cultura geral e específica. Lembre-se que nossa formação não depende somente da presença em sala de aula com um professor, mas, de nós mesmos, nossos interesses, leituras, estudos e empenho. O Blog da SL é constituído por 20 seções como, por exemplo, entretenimento, tecnologia, artes, literatura etc. que tratam sobre os mais variados temas e têm por objetivo ensinar, entreter e contribuir para a ampliação de sua cultura geral e aprendizagens. Portanto, aqui, você:

  •     terá acesso às resenhas de várias obras literárias e outros livros pertencentes ao nosso acervo;
  •      poderá aprender mais sobre a vida dos escritores;
  •   poderá aprender mais sobre as obras literárias para poder lê-las com mais profundidade e conhecimento;
  •     aprenderá sobre o contexto histórico-social relativo à época em que essas obras literárias foram elaboradas;
  •     entenderá melhor a questão dos gêneros e escolas literárias e seu desenvolvimento através da história humana;
  •    também terá acesso a artigos referentes aos mais variados assuntos sobre ciência, tecnologia, lazer, arte etc.

DICA: Ao acessar o blog através de seu smartphone, role a barra até o final e escolha a opção "versão web" para ter acesso à barra de busca de conteúdo e, assim, conseguir visualizar todas as publicações, de todos os meses/anos.

Aguardamos, também, sua visita à Sala de Leitura para conhecer e usufruir de seu enorme acervo e que está à sua espera para que você realize leituras super emocionantes, interessantes, misteriosas, românticas, de aventura etc.

Abraço,

Prof. André Luiz Gattás

Fevereiro/2025

 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

CARDÁPIO DO MÊS: Novembro/2024 - BIOGRAFIA e AUTOBIOGRAFIA

Para conhecermos mais sobre BIOGRAFIAS (e, também autobiografias), vou reproduzir abaixo trechos de dois artigos que discutem esse gênero literário tão rico e cativante. Uma biografia não é somente uma história sobre a vida de alguém. É muito mais do que isso! Muitas vezes ao lermos uma biografia ficamos totalmente focados no texto, sendo tão bom ou melhor do que um texto ficcional de qualquer outro gênero.

E por que será que biografias prendem tanto nossa atenção? Provavelmente porque se trata de histórias reais e isso cria uma identificação maior com o texto por parte do leitor. Vamos, agora, aos artigos.

O primeiro artigo que selecionei e cujo título é Benefícios Psicológicos de Ler Biografias, lista os seguintes benefícios:

·         Nos aproxima da perspectiva histórica

·         Promove a autodescoberta

·         Ajuda a enfrentarmos o medo do fracasso

·         Melhora nosso nível cultural geral

(Texto: Prof. André Luiz Gattás)

Aprender com as biografias de grandes homens e mulheres faz com que coloquemos o mundo em perspectiva. Saber como eles enfrentaram seus problemas, como acreditaram em si mesmos, como foram capazes de encontrar e explorar seus talentos e como orientaram suas vidas nos ajuda a aprender a guiar a nossa própria vida.
(...)
Ler em detalhes sobre pessoas comuns fazendo coisas extraordinárias é uma fonte inesgotável de inspiração. Esta é a principal diferença entre ler ficção e ler sobre pessoas reais, como eu e você. Sob o olhar da psicologia, a leitura de biografias pode ser uma ferramenta muito eficaz para o desenvolvimento de habilidades e capacidades.
(...)
Conhecer a vida de outras pessoas através de suas biografias nos ajuda a obter este conhecimento de vida e de experiências vividas, de conquistas e de fracassos. De atos e consequências, de reconhecimentos e, também, de injustiças.
(...)
A autodescoberta é um dos processos que nos ajudam a gerar o autoconceito. Através dos detalhes das experiências de outras pessoas, de suas situações e limitações, será mais fácil ter uma ideia de quem somos por comparação.
(...)
Também amplia o enfoque e as opiniões que sustentamos sobre alguns assuntos. Nos permite ver o mundo de outras formas e obter diferentes pontos de vista. Ou, do contrário, nos aportam argumentos que ratificam nossos valores ou crenças a partir de outras perspectivas.
(Fonte: amenteemaravilhosa.com.br / Para ler o artigo na íntegra acesse https://bit.ly/4fktv9U)

O segundo artigo sobre biografias, com o título “Por Que Gostamos de Ler Biografias?”, nos remete à importância de aprendermos através da experiência do outro, usando-a como um atalho para não perdermos tempo e energia cometendo os mesmos erros ou para chegarmos ao sucesso mais rapidamente nos espelhando em seus passos.

 (...)
A leitura de experiências reais nós dá conteúdo para as decisões e as consequências que enfrentamos no nosso dia a dia. A história (recente ou distante) sempre se repetirá, porque aqueles que fazem história eram e são, seres humanos.
Uma das melhores maneiras de adquirir experiência por ensinamentos de figuras histórias é lendo suas biografias. Elas promovem o autoconhecimento e a autodescoberta. Essas leituras funcionam como atalhos valiosos para ajudá-lo a fazer melhorias e obter melhores resultados em sua vida.
(...)
(Fonte: BRUNETTI, Kátia. Por Que Gostamos de Ler Biografias? Disponível em: Medium / https://bit.ly/3C8TTVX)

Observação: As biografias e autobiografias que compõem o CARDÁPIO DO MÊS de novembro estão dispostas no revisteiro que fica logo na entrada da Sala de Leitura. Aproveite a Sala de Leitura com o que ela tem de melhor: LIVROS!

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Livro da Semana: A FALÊNCIA, de Júlia Lopes de Almeida

Quando o livro A FALÊNCIA, de Júlia Lopes de Almeida, chegou à Sala de Leitura de nossa escola não dei muita importância porque ao relembrar as aulas de literatura brasileira de minha graduação em Letras e, desse modo, sendo pretensamente conhecedor dos bons autores nacionais, tanto o título quanto sua autora me eram totalmente desconhecidos. Sendo assim, com base em minha falta de informação, coloquei-o na estante de literatura brasileira em um lugar sem muito destaque, longe dos grandes nomes nacionais. Um tempo se passou, e, de repente, vejo esse livro compondo a lista de títulos nacionais indicados por um dos vestibulares mais importantes do Estado de São Paulo.
 Fui, então, pesquisar sobre ele e descobri que sua autora, Júlia Lopes de Almeida, é mais um exemplo, dentre tantos outros, da tentativa de apagamento da figura feminina no âmbito profissional, cultural e intelectual. Em sua época, final do século XIX, Júlia já agia como crítica da sociedade em que vivia, sendo feminista sem o saber (o termo nem existia em sua época). Escreveu romances com características realistas e naturalistas, como A FALÊNCIA, sua obra mais conhecida. Portanto, foi uma escritora bem-sucedida, que defendeu a educação para as mulheres, o divórcio e o voto feminino.Vivendo em numa sociedade em transição, que passava de escravocrata à capitalista, em um período pós-monarquia e que recentemente havia abolido, pelo menos oficialmente, a escravidão, Júlia Lopes de Almeida traz à luz, em seu livro A FALÊNCIA, temas como a submissão e dependência financeira das mulheres em relação a seus maridos, misoginia, religião, preconceito racial, casamento por conveniência social e financeira, mulher em um relacionamento extraconjugal e outros assuntos que continuam em discussão na sociedade brasileira e mundial até os dias de hoje. Segundo relatos de leitores da obra, trata-se de um livro que demora um pouco para cativar seu leitor, mas, a partir de determinado momento, não se quer parar de lê-lo nem por um segundo até chegar ao seu término pois tem uma trama muito bem construída e caso fosse adaptado para a TV ou cinema seria um grande sucesso.
Júlia foi contemporânea de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo e ao longo de 45 anos escreveu e publicou romances, contos, crônicas, peças de teatro, ensaios e até mesmo livros didáticos para crianças (30 anos antes de outro de seus contemporâneos, Monteiro Lobato, voltar-se à literatura infantil). Entretanto, mesmo tendo integrado o grupo que constituiu a ABL (Academia Brasileira de Letras) e de ter seu nome incluído na primeira lista de “imortais” da instituição, não pôde tomar posse de sua cadeira em 1897, a qual foi para seu marido, o português Filinto de Almeida. Como prova do machismo e desvalorização da mulher na sociedade brasileira do século XIX e metade do século XX, a liberação à participação feminina na ABL viria somente 80 anos depois, com a eleição de Rachel de Queiroz, em 1977.
Então, por tudo isso e mais um pouco, penso que vale a pena realizar essa leitura e conhecer mais sobre essa grande escritora nacional.
(Fonte: André Luiz Gattás - professor da Sala de Leitura)

Relatos  Sobre A FALÊNCIA

"Surpreendente! Pensei que seria só mais uma leitura para o vestibular, mas não. Já conhecia a autora por "Ânsia Eterna", porém a escrita deste aqui é totalmente diferente. A leitura é meio chatinha no início, mas depois que você se prende no enredo, segue rapidamente. O livro em si é uma crítica à sociedade burguesa do século XIX, e discute temas importantes, como escravidão, religião, adultério e o papel da mulher na sociedade da época. Muito bom, o livro é genial."

"A obra explora, não só a falência monetária de uma família burguesa do século XIX, mas a falência moral, monárquica e patriarcal da época. Júlia Lopes de Almeida fala sobre adultério, arte, racismo e pobreza, mas a crítica mais marcante nessa leitura é referente ao papel da mulher na sociedade."

"Surpreendentemente atual! Fiquei impressionada de como esse livro é bom, realmente não esperava gostar tanto por ser um livro antigo. O desenrolar da história é incrível e repleta de críticas que ainda são atuais, com reflexões sobre a sociedade e as relações humanas. A obra transcende o tempo e ainda traz uma visão profunda do contexto histórico e social da época."

Fonte: skoob.com.br / https://bit.ly/3TSkOvb

RESENHAS SOBRE A FALÊNCIA

- SARDI, Gabriela. A falência da sociedade desigual em Júlia Lopes de Almeida. Disponível em: UFRGS – Jornal da Universidade, publicado em 23/06/2022 (Especial: Leituras do Vestibular)/ https://bit.ly/3zVldWN

- Resenha: A Falência por Júlia Lopes de Almeida, publicado em 11/09/2020. Disponível em Naty's Bookshelf Blog / https://bit.ly/4eP4zXH

VÍDEO-RESENHAS SOBRE A FALÊNCIA

(Fonte: canal Aline Aimée - YouTube / https://bit.ly/3Y9oefy)

(Fonte: canal Ler Antes de Morrer - YouTube / https://bit.ly/4erxcus)

(Fonte: canal Literatura com Alencar - YOuTube / https://bit.ly/4dzoQ2C)

(Fonte: canal O Magriço Cibernético / https://bit.ly/3XT21AT)

QUEM FOI JÚLIA LOPES DE ALMEIDA?

Júlia Lopes de Almeida, filha de portugueses ricos e cultos, nasceu em 24 de setembro de 1862, no Rio de Janeiro. Porém, quando ainda era criança, ela e sua família se mudaram para uma fazenda, em Campinas, no estado de São Paulo. A escritora recebeu uma educação liberal e, com o apoio do pai, aos 19 anos de idade, já escrevia para A Gazeta de Campinas, atividade intelectual incomum para as mulheres da época, uma vez que era monopolizada pelos homens.

Alguns anos depois, em 1886, Júlia Lopes de Almeida mudou-se para Lisboa, em Portugal, e publicou, em coautoria com a irmã — a escritora Adelina Lopes Vieira (1850-1923) —, o livro Contos infantis. Por isso, é considerada uma das pioneiras da literatura infantil brasileira. Ali conheceu e se casou com o poeta português Filinto de Almeida e publicou seu primeiro livro para adultos — Traços e iluminuras —, que foi escrito quando a autora tinha 24 anos.

A contista, romancista, cronista e dramaturga Júlia Lopes de Almeida retornou ao Brasil em 1888. Mas, décadas depois, de 1913 a 1918, morou novamente em Portugal. E, de 1925 a 1931, fixou residência em Paris. Morreu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, vítima de malária, possivelmente contraída em sua recente viagem à África, deixando uma obra de autoria feminina extensa e não só literária, mas também historicamente significativa.

A escritora tinha ideias bem avançadas para a sua época, pois defendia a abolição da escravatura, a república, o divórcio e a educação formal de mulheres, além dos direitos civis. Escreveu para periódicos como A Mensageira, Única, O Quinze de Novembro, Kosmos, O País, A Gazeta de Notícias, A Semana, Jornal do Comércio, Ilustração Brasileira, Tribuna Liberal e Brasil-Portugal. Também realizou palestras sobre o lugar da mulher na sociedade brasileira e outras questões nacionais.

Academia Brasileira de Letras

Alguns idealizadores da ABL, como Filinto de Almeida (o sétimo da esquerda para a direita), além de Olavo Bilac e Machado de Assis.

A Academia Brasileira de Letras foi fundada em 1897; porém, seu planejamento começou logo após a Proclamação da República (1889), por iniciativa de um grupo de intelectuais. Entre eles, Júlia Lopes de Almeida era a única mulher. Assim, o escritor Lúcio de Mendonça (1854-1909), em artigo no jornal Estado de S. Paulo, mostrou ser justo oferecer uma cadeira na Academia para a escritora. Todavia, isso não ocorreu, pois, segundo os intelectuais que se opuseram, não havia mulheres na Académie Française de Lettres, que servia de inspiração para a Academia Brasileira.

Em vez da escritora, foi aceito o seu marido, Filinto de Almeida, para ocupar a cadeira número 3, na Academia Brasileira de Letras, que se manteve exclusivamente masculina até 1977, quando Rachel de Queiroz (1910-2003) tornou-se a primeira mulher eleita para a Academia. Porém, quando a ABL completou 120 anos, Júlia Lopes de Almeida foi homenageada, como forma de restituir seu nome como cofundadora.

(Fonte: brasilescola.com.br / https://bit.ly/47WfI74)

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

TESTE VOCACIONAL - UMA FERRAMENTA DE AUTOCONHECIMENTO

VOCÊ JÁ FEZ UM TESTE VOCACIONAL?
O teste vocacional é uma ferramenta que pode nos ajudar a fazer uma escolha melhor sobre qual graduação universitária seguir com base na análise de seus resultados. Existem vários tipos de testes vocacionais, disponíveis online, gratuitos e pagos. Muitos psicólogos e orientadores educacionais se utilizam dessa ferramenta para que seus pacientes/alunos/clientes possam fazer escolhas acadêmicas e profissionais mais adequadas de acordo com suas características pessoais.    Alguns  testes mesclam 8 áreas de conhecimento em suas questões, sendo elas: 

  • Linguística: aborda a habilidade de comunicação oral, escrita e gestual;
  • Lógico-Matemática: destaca se a pessoa tem facilidade para solucionar problemas matemáticos e raciocínio lógico;
  • Espacial: verifica se a pessoa é detalhista e tem uma boa interpretação visual de situações e objetos ao redor;
  • Musical: interpreta se a pessoa tem interesse e habilidades musicais;
  • Corporal-Cinestésica: se a pessoa tem habilidade motora para expressar ideias e sentimentos;
  • Intrapessoal: se a pessoa avaliada tem ou busca o autoconhecimento;
  • Interpessoal: avalia a capacidade de interação com outras pessoas e se as habilidades interpessoais, como a empatia;
  • Naturalista: verifica se a pessoa gosta de temas que envolve ciências naturais tais como geografia e animais.
O ideal é que esse teste seja interpretado com a ajuda de um profissional, psicólogo ou orientador educacional, para que ele lhe ajude a desenvolver seu autoconhecimento e também a escolher a melhor opção de carreira acadêmica e profissional de acordo com suas habilidades e necessidades.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE UM TESTE VOCACIONAL E UMA PROVA?
Em um teste vocacional não existem respostas certas ou erradas, mas as mais adequadas à sua personalidade, ao seu momento de vida e, por isso, é muito importante que ele seja realizado com o máximo de sinceridade. Esse tipo de teste, portanto, pode mudar sua visão sobre quais carreiras profissionais podem ser as mais adequadas à você.

Nos links abaixo você pode realizar um teste vocacional:
- Site Educa + Brasil: https://bit.ly/4gHaXlC
- Site Quero Bolsa: https://bit.ly/3NrIhzT

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Livro da Semana: CAMPO GERAL, de Guimarães Rosa

“Campo Geral” é um caminho sem volta para o leitor de Guimarães Rosa

O professor da USP Luiz Roncari recomenda ao vestibulando ler a obra sem pressa e com a imaginação aberta



“Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frango-d'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutúm. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos.”

Campo Geral começa assim, no aconchego familiar. Guimarães Rosa vai guiando o leitor pelo cenário encantado das matas. Se o leitor se deixar levar pelas descobertas de Miguilim, vai perceber que a leitura é uma oportunidade de conhecer o melhor da literatura brasileira. O livro integra a lista de leituras exigidas para o vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que seleciona os candidatos a ingressar nos cursos da USP.

Prof. Luiz Roncari (FFLCH/USP) - Foto: Reprodução 
“O que mais recomendo para o leitor de Guimarães Rosa é atenção, como todos os livros dele. Essa novela deve ser lida com todo cuidado, sem pressa e, junto ao entendimento, com a imaginação aberta”, orienta o professor Luiz Dagobert de Aguirra Roncari, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. “Por isso ela parece mágica. É que muitos sentidos outros, inesperados, se revelam com aqueles dados à primeira vista, como se abríssemos uma caixa de bolachas e ela nos trouxesse bombons e outras surpresas que satisfazem muito a nossa inteligência. É esse o milagre.”

O professor explica que, em Guimarães Rosa, cada palavra é pensada e tem a sua devida importância. “O autor usa as palavras e as explora em todas as suas possíveis conotações, étimos perdidos e outros possíveis ainda não explorados. Ele é um escritor culto e recusa a escrita fácil, aquela que pretende só passar um recado; para ele a escrita tem também que ser saboreada, como uma fruta. É um momento de gosto, reflexão e descobertas.”

Se o vestibulando sentir dificuldade na leitura do texto, o professor observa que é preciso deixar a escrita aparentemente obscura se revelar no seu tempo e com os caprichos que o autor lhe embutiu. “Quando a sua escrita parece obscura, se temos o cuidado de deixar que se nos revele no seu tempo e com todos os caprichos que o autor lhe embutiu, ela se torna uma coisa viva, que pode nos dar muita alegria intelectual e satisfação.”

A leitura de 'Campo Geral' nos permite apreciar nos seus liames mais cerrados os afetos e as agonias da família média brasileira, que procura imitar o modelo, com seus preconceitos e vícios, da nossa família patriarcal.”"

Importante lembrar que Campo Geral, segundo análise de Roncari, é a primeira das novelas incluídas em Corpo de Baile, um dos livros mais importantes de Guimarães Rosa e da literatura brasileira, daí justificar a sua leitura para o vestibular da Fuvest. “Na primeira edição, de 1956, em dois volumes, o autor as chamava ainda de poemas, e depois passou a considerá-las todas as novelas. Cada uma delas, ao mesmo tempo em que tem a sua autonomia, pode ser lida separadamente e não depende das demais para o seu entendimento, compõe com as outras um todo com certa organicidade. Enquanto tal é que esse livro precisa ainda ser mais estudado, no seu todo. Existem muitos trabalhos sobre cada uma das estórias, mas ainda ficam muitas dúvidas sobre as suas articulações, do que temos só algumas pistas.”

Máquina de datilografar de Guimarães Rosa/Foto: Atillio Avancini
Para integrar o estudante na literatura de Guimarães, o professor faz uma breve síntese de outras estórias. “É possível ver no livro um movimento que reproduz o ciclo de um dia, da manhã à noite. Campo Geral faria parte das estórias matinais, que teriam seu ápice com outras mais solares, como A Estória de Lélio e Lina, que seria o pico do meio-dia, e fecharia com a noturna, Buriti, a novela das noites eróticas entre Lalinha e Iô Liodoro, passando pelas crepusculares Lão-dalalão (Dão-lalalão) e Cara-de-Bronze. Os fios tênues que amarram o conjunto delas são algumas personagens de Campo Geral que voltam a aparecer em outras, como a principal delas, o menino Miguilim, que ressurge na última, Buriti, agora já adulto, como Miguel, para dar-lhe um final radioso, simbolizando o ressurgimento de uma família que havia se desagregado e traz a promessa de ressurreição.”

Na avaliação de Roncari, “a leitura de Campo Geral permite apreciar nos seus liames mais cerrados os afetos e as agonias da família média brasileira, que procura imitar o modelo, com seus preconceitos e vícios, da nossa família patriarcal”.

“O autor, falando de uma família particular, a de Miguilim, no ninho de afetos e rancores do Mutum, capta as ameaças e riscos que, de certa forma, ela vive na sua generalidade”, observa o professor.

"O narrador acompanha muito de perto o menino Miguilim, as suas dores, alegrias e descobertas do mundo.”

Campo Geral revela para o leitor muitas emoções sensíveis e intelectuais. “O narrador acompanha muito de perto o menino Miguilim, as suas dores, alegrias e descobertas do mundo. Por isso ela é também uma novela de formação, de um menino vivendo, sofrendo e descobrindo o mundo e os homens, mas também reagindo a eles”, esclarece Roncari.

Apesar da inocência, da ingenuidade, Miguilim não é passivo. “Por isso, o final da novela tem um sentido alegórico: quando o médico percebe que ele é míope e lhe empresta os seus óculos e o herói descobre um outro mundo, mais claro e definido do que tinha percebido até o momento, o vê agora nas suas verdades ou pelo menos que ele era muito diferente do que tinha visto. Significa que ele mudou, cresceu ou houve para ele um ganho na percepção do mundo. Esse esclarecimento da visão tem também o significado de que ele aprendeu, não apenas sofreu o mundo, mas deu um passo além no seu conhecimento do que viveu.”

Difícil resumir Campo Geral para uma rápida leitura. O leitor, como bem diz Roncari, terá que ser atencioso. “De uma literatura como a de Guimarães, por tudo o que já disse, é muito difícil de fazer uma síntese. Seria quase a sua negação, já que a sua verdade maior está mais, como ele próprio diz, na sua travessia, quer dizer, na passagem de cada uma das suas palavras, frases e acontecimentos, do que na chegada ao final. Este é quase nada sem passar por elas, o como é tão ou mais importante do que disse. Isso já é um lugar comum sobre a escrita do autor.”

Difícil resumir Campo Geral para uma rápida leitura. O leitor, como bem diz Roncari, terá que ser atencioso. “De uma literatura como a de Guimarães, por tudo o que já disse, é muito difícil de fazer uma síntese. Seria quase a sua negação, já que a sua verdade maior está mais, como ele próprio diz, na sua travessia, quer dizer, na passagem de cada uma das suas palavras, frases e acontecimentos, do que na chegada ao final. Este é quase nada sem passar por elas, o como é tão ou mais importante do que disse. Isso já é um lugar comum sobre a escrita do autor.”

“O sítio era um ninho de afetos e recalques familiares vivendo as suas ameaças: externas, simbolizadas pela selvageria dos macacos e antas; e internas, simbolizadas pelos porcos do Patori.”

Certo é que o leitor vai se deixar envolver pela imaginação infantil. “A estória é sobre uma família camponesa média, de pequenos arrendatários de terras, endividados, sendo eles próprios que trabalhavam com alguns ajudantes, no Mutum. Ele ficava na fronteira entre o conhecido e o desconhecido, tanto que os lugares próximos ainda não eram nem nominados”, conta o professor. “O sítio era um ninho de afetos e recalques familiares vivendo as suas ameaças: externas, simbolizadas pela selvageria dos macacos e antas; e internas, simbolizadas pelos porcos do Patori. Elas eram as possibilidades de traição, como as da mãe com o tio Terêz e o Luisaltino, e do incesto, como a inclinação de Miguilim, que dizia a si mesmo que ‘era ele quem ia se casar com a Drelina’, uma de suas irmãs. Era contra essas ameaças que a Vovó Izidra, na verdade uma tia-avó da mãe, uma espécie de portadora da ordem familiar patriarcal, como Hera, irmã de Zeus, praguejava e lutava. Ela temia que a mãe, Nhanina, seguisse os impulsos desorganizadores da sua mãe, Vó Benvinda, que tinha sido, como dizia um vaqueiro, ‘quando moça mulher-à-toa’. O curso da novela são os episódios vividos por Miguilim, das suas perdas, como a expulsão do lugar de tio Terêz, a da cachorrinha Pingo-de-ouro, a morte do irmão mais próximo, Dito, que ele ouvia muito, lhe ensinava coisas sábias sobre a vida e de quem ele gostava tanto, o assassinato de Luisaltino pelo pai e o seu suicídio.”


A novela de João Guimarães Rosa é ilustrada com desenhos de grande apelo visual de Djanira, desenhista acolhida pela comunidade artística brasileira entre as décadas de 1950 e 1980 – Foto: Ilustrações do livro Campo Geral feitas pela artista Djanira

A novela de João Guimarães Rosa é ilustrada com desenhos de grande apelo visual de Djanira, desenhista acolhida pela comunidade artística brasileira entre as décadas de 1950 e 1980

Segundo o professor, “tudo se passa a partir do ângulo de visão de Miguilim, que o narrador acompanha de muito perto, como pelas costas, mas todos têm também um significado extra, mítico-simbólico – tio Terêz, vó Izidra, Mãetina, Nhanina, Dito, o Patori, seo Aristeu –, acrescido pelo autor, que faz o narrador combiná-lo com as percepções agudas dos sentimentos do menino. Por isso, cada personagem tem um composto empírico, dado pela sua experiência com o herói, Miguilim, e um elemento simbólico, que só o autor com sua intervenção poderia acrescentar à exposição do narrador, aquele sujeito invisível que nos conta a estória”.

O professor afirma que “é importante o leitor saber distinguir o que é da experiência do herói, o menino no seu embate com o mundo e os homens, o que é do autor, senhor de um conhecimento que só um sujeito muito culto poderia ter e sutilmente acrescentar, e o que é do narrador, aquele que reúne os saberes dos mais diferentes campos, coisas do sertão e dos livros, e conta tudo para nós”.

Para os interessados em saber mais detalhes ou pesquisar a obra de Guimarães Rosa, há dois livros escritos pelo professor Luiz Roncari: O Brasil de Rosa: o Amor e o Poder e Lutas e Auroras: os Avessos do Grande Sertão: Veredas, ambos publicados pela Editora da Unesp.

(Fonte: KYOMURA, Leila. “Campo Geral” é um caminho sem volta para o leitor de Guimarães Rosa Disponível em: Jornal da USP - Livros FUVEST / https://bit.ly/3TDoUar)

OUTRAS RESENHAS  SOBRE CAMPO GERAL

- ZINDACTA, Vitor. Resenha: Campo Geral de Guimarães Rosa. Disponível em: postliteral.com.br / https://bit.ly/3zuJh2I

- ILHÉU, Taís. Campo geral: resumo e análise da obra. Disponível em: Guia do Estudante / https://bit.ly/3TIJru2

- QUINELATO, Rosangela. Análise do livro Campo Geral. Disponível em: Vestibulando  https://bit.ly/4eUEgj9

VÍDEO-RESENHAS  SOBRE CAMPO GERAL

(Fonte: canal LíteraBrasil - YouTube / https://bit.ly/3TECudy)

(Fonte: canal O Magriço Cibernético - YouTube / https://bit.ly/47F3Fe0)

(Fonte: canal Leio, Logo Escrevo - YouTube / https://bit.ly/4eVlyIb)

(Fonte: canal Brail Escola Oficial - YouTube / https://bit.ly/3zzlVZS)

(Fonte: canal Professor Henrique Landim - YouTube / https://bit.ly/3ZzP6GN)

(Fonte: canal Literatura com Alencar - YouTube / https://bit.ly/3Bj4LjC)

QUEM FOI GUIMARÃES ROSA?

João Guimarães Rosa, mais conhecido por Guimarães Rosa, nasceu no dia 27 de junho de 1908, na cidade de Cordisburgo, Minas Gerais. Viveu nessa região interiorana, onde o pai era juiz de paz, vereador e comerciante, até 1918, período que cursou os estudos primários. Posteriormente, aos 9 anos de idade, mudou-se para a casa de seus avós maternos, situada em Belo Horizonte. Nesse novo lar, teve a forte influência de seu avô, que era médico, escritor, filósofo e professor, o que contribuiu para que o então menino se encantasse pelas letras e pelo conhecimento.

Na capital mineira, cursou Medicina na Faculdade de Minas Gerais (atual UFMG), formando-se em 1930. Nessa fase, foram publicados seus primeiros contos na revista O Cruzeiro. Depois de formado, exerceu a profissão em Itaguara, município de Itaúna, interior mineiro, onde permaneceu por dois anos, sendo motivo de apreço na região, pois atendia seus doentes a cavalo pelas fazendas e sítios da zona rural.

Falante fluente de várias línguas, Guimarães Rosa tornou-se diplomata.

Durante a Revolução Constitucionalista, em 1932, voltou a Belo Horizonte para servir como médico voluntário da Força Pública. Em seguida, atuou como oficial médico no 9º Batalhão de Infantaria na cidade de Barbacena.

Enquanto exercia a medicina, iniciou o processo de escrita literária, sendo agraciado em 1936 com o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras pela coletânea de poemas Magma. Essa obra, que ganhou a premiação em primeiro lugar, só foi publicada postumamente, em 1997.

Guimarães Rosa, em razão do enorme apreço que tinha por línguas estrangeiras, o que lhe conferiu o domínio de nove idiomas, deixou a medicina e optou pela carreira diplomática, o que também lhe proporcionou maior contato com o mundo das letras. Em 1934, foi morar no Rio de Janeiro e, em seguida, foi nomeado vice-cônsul em Hamburgo, na Alemanha. Nesse período, como o país germânico estava sob o domínio nazista, Rosa, exercendo sua influência como diplomata, ajudou, como evidenciam documentos históricos, inúmeras vítimas do nazismo a fugirem, assinando, como vice-cônsul, o visto em seus passaportes. Em 1942, quando o Brasil rompeu aliança com a Alemanha, Guimarães Rosa foi preso, assim como outros brasileiros que viviam naquele país.

Após ser liberto da prisão, o que ocorreu no fim de 1942, foi nomeado secretário da Embaixada Brasileira em Bogotá, na Colômbia. Posteriormente, entre 1946 e 1951, residiu em Paris, onde consolidou sua carreira diplomática. Faleceu em 19 de novembro de 1967, na cidade do Rio de Janeiro.

(Fonte: portugues.com.br / https://bit.ly/3BrTTjx)

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Livro da Semana: ANGÚSTIA, de Graciliano Ramos

“ANGÚSTIA”, DE GRACILIANO RAMOS, UNE INTROSPECÇÃO E CRÍTICA SOCIAL

Obra faz amálgama entre tomada de consciência do País nos anos 30 e subjetivismo do escritor

Apesar de Vidas Secas (1938) ser considerada a obra emblemática do escritor alagoano Graciliano Ramos, o romance Angústia é uma de suas obras-primas, mesmo que ignorado pela crítica na época de sua publicação, em 1936. Lançado pela José Olympio Editora, com ilustrações de Santa Rosa, o livro está atualmente na 77ª edição pela Record. Segundo o professor Fabio Cesar Alves, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Angústia é o terceiro romance do autor – os dois anteriores são Caetés (1933) e São Bernardo (1934) – e foi lançado quando Graciliano Ramos ainda se encontrava preso, sem processo nem acusação formal, pela polícia política de Getúlio Vargas.

Angústia integra a lista de leituras exigidas para o vestibular da Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular), que seleciona os candidatos a ingressar nos cursos da USP.

“A contragosto do próprio Graciliano, o romance sai com ele ainda na prisão. Inclusive os companheiros de cela fazem uma festa para comemorar dentro do presídio a publicação de Angústia, e ele autografa vários exemplares para seus companheiros, que eram pessoas como Eneida de Moraes, Olga Benário e Aparício Torelly”, conta o professor. “De certo modo é um livro que vem à tona num momento muito crítico da vida brasileira”, acrescenta.

Segundo Alves, “a questão fundamental é que nesse romance, em particular, Graciliano Ramos, que já é autor de uma obra bastante introspectiva, consegue unir essa introspecção à crítica social, que é própria da geração de 30”. Para o professor, Angústia é um romance que promove uma espécie de amálgama entre a tomada de consciência do País nos anos 30 e a introspecção e o subjetivismo próprios dos romances anteriores.

“Penso que esse livro dá conta dessas contradições que estavam em jogo nos anos 30 e, ao mesmo tempo, mostra uma espécie de falta de horizonte do Brasil e desse personagem-narrador, que é o Luís da Silva, funcionário público de 35 anos, solitário, desgostoso da vida, num momento de modernização acelerada do País.” E nesse sentido, segundo o professor, é bastante atual, porque procura mostrar também o que permanece de patriarcal, de escravista e de atrasado na nossa estrutura e na nossa vida social. “O saldo é extremamente amargo. É uma denúncia daquilo que permanece insuperável.”

(...)

(Fonte: COSTA, Cláudia. “ANGÚSTIA”, DE GRACILIANO RAMOS, UNE INTROSPECÇÃO E CRÍTICA SOCIAL. Disponível em: Jornal da USP/publicado em 2019 e atualizado em 2023 / https://bit.ly/47AhcUc)

(...)
Angústia é o substantivo que define a vida de Luís da Silva. Funcionário público, vive de aluguel, tem uma empregada e reclama diariamente da vida. Na verdade, ele reclama de tudo. Ele não consegue ver mais alegria em nada do que faz, é aquele tipo que empurra a vida e vive por viver. Apesar de inteligente, ele sempre acha ruim de não ter nada e não ter conquistado nada, mas o incrível é que você nunca o vê lutando para conseguir alguma coisa. Parece que tudo o que ele faz é somente para “passar o tempo” e não ter de pensar em si mesmo. Vive seguindo uma rotina, se culpa muito por isso e acaba sendo um homem angustiado (olha o título de novo).
(...)
(Fonte: RUBIA, Priscilla. [Resenha] Angústia do Graciliano Ramos. Disponível em: Leitor Cabuloso /         https://bit.ly/3MV12ve

OUTRAS RESENHAS SOBRE "ANGÚSTIA"

- BRANDINO, Luiza. Angústia: romance de Graciliano Ramos. Disponível em: Brasil Escola UOL / https://bit.ly/3zoZFSk)

- Angustia - Graciliano Ramos. Disponível em: Blog Roendo Livros /  https://bit.ly/3XTYDHt

VÍDEO-RESENHAS SOBRE "ANGÚSTIA"

(Fonte: canal Ler Antes de Morrer - YouTube / https://bit.ly/3XRTeR5)

(Fonte: canal tatianagfeltrin - YouTube / https://bit.ly/3ZD61YT)

(Fonte: canal LíteraBrasil - YouTube / https://bit.ly/4dl3upo)

(Fonte: canal Literature-se - YouTube / https://bit.ly/4gzQoYg)

(Fonte: canal Literatura com Alencar - YouTube / https://bit.ly/3ZSnCMP)

(Fonte: canal Leia para Viver / Rodrigo Villela - YouTube / https://bit.ly/4eyL0Tr)

(Fonte: canal O Magriço Cibernético - YouTube / https://bit.ly/4eBKiVH)

QUEM FOI GRACILIANO RAMOS

Membro do Modernismo, livros do escritor são alguns dos principais assuntos do ENEM e de outros vestibulares (Foto: Arquivo público do estado de São Paulo)

Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em 27 de outubro de 1892, no município de Quebrangulo, no Alagoas. Filho de comerciantes, ele teve uma vida confortável durante a infância e pôde se dedicar aos estudos. Não por acaso, seu assunto de maior interesse eram as línguas — principalmente a portuguesa.

Ramos começou a escrever cedo e chegou a publicar seu primeiro conto aos 11 anos. Anos depois, ele passaria a produzir textos para periódicos brasileiros, os quais assinava com o pseudônimo Feliciano Olivença devido à sua pouca idade. Na juventude, trabalhou em jornais e publicações literárias. Além disso, fez parte do Exército, ajudou seus pais na loja da família e deu aulas de português.

Anos depois, o rapaz se fixou na cidade de Palmeira dos Índios, a cerca de 136 quilômetros de Maceió. Por lá, se envolveu com política e acabou se tornando o prefeito da cidade, em 1927. Alguns especialistas contam que, por conta de seus dotes literários, Ramos impressionava outros profissionais com seus relatórios bem escritos.

Mas, mesmo com o reconhecimento pelos “belos” documentos redigidos, esse mundo não era para o alagoano. Para ele a política era conturbada, pois envolvia muitos conflitos de interesse e burocracias. Isso fez com que ele renunciasse do cargo dois anos após a posse.

A política, contudo, não desapareceu de sua vida. Até sua morte, em março de 1953, Ramos atuou em diversos outros cargos públicos, principalmente em posições que envolviam assuntos ligados à educação.

O escritor Graciliano Ramos (Foto: Reprodução)

Mesmo com todas essas funções, Ramos encontrou tempo para se casar duas vezes, ter oito filhos e, é claro, escrever. Ele foi um dos principais expoentes da segunda fase do Modernismo e, por seus mais de dez livros publicados, ganhou diversos prêmios e se consagrou um dos maiores autores do Brasil.

Contexto histórico e literário
Na época em que Graciliano Ramos começou a escrever, o país fervilhava com mudanças, tanto no campo da arte, quanto na política e economia. O movimento literário conhecido como Modernismo se consolidava, reforçando a formação de uma identidade artística nacionalista.

Modernismo foi fundado por grandes nomes da arte brasileira, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, durante a Semana de Arte Moderna de 1922, realizada no Theatro Municipal de São Paulo. Inicialmente, o movimento focou na ruptura da arte do Brasil com as influências do exterior, principalmente às produções europeias. A ideia dos artistas era o de criar uma identidade brasileira de forma quase ufanista e revolucionária. Quando Ramos começou a publicar suas obras, esse estilo já havia mudado.

Participantes da Semana da Arte Moderna, de 1922 (Foto: Reprodução)

Agora, os artistas já haviam amadurecido os ideais do movimento e podiam focar em outros temas, como o regionalismo, a mistura de diversos tipos de arte e a construção de algo totalmente brasileiro. Graciliano Ramos, é claro, se enquadra em todas essas classificações.

Mas, à época, essas ideias nacionalistas não permeavam apenas as artes. A segunda fase do Modernismo durou de 1930 até 1945, período em que ocorreu a Revolução de 1930, que colocou o país sob o comando do gaúcho Getúlio Vargas, responsável por formular reformas trabalhistas e econômicas para modernizar o Estado brasileiro. Contudo, em 1937 o presidente aplicou um "autogolpe" que instaurou uma ditadura até 1945 — e rendeu 11 meses de prisão a Ramos.

Em tempos de política anticomunista ditada por Vargas, as obras e as amizades de Ramos não eram bem vistas. “Ele tinha um lado político velado, mas, que se analisarmos, está muito presente em sua obra”, afirmou Celso Cavicchia, professor de literatura formado em letras pela USP, em entrevista à GALILEU.

O especialista ressalta ainda que o partidarismo de Graciliano Ramos é perceptível apenas para quem realmente presta atenção em seus escritos. “Quando você lê as obras, o comunismo está explícito se você quiser entender. Entretanto, para quem não quer, resta apenas a narrativa, que faz pensar 'coitadinho dos pobres e miseráveis' e só isso”, explicou.

Ramos foi preso apenas três anos após a publicação de São Bernardo (1934), que conta a história de amor de um dono de terras com uma mulher de ideias mais humanistas. “Nessa obra temos um capitalista explorando o trabalho do povo. Quando conto essa história para meus alunos, ele percebe o quanto a obra ainda é atual”, disse Cavicchia.

Depois de passar meses encarcerado pelo governo, Graciliano Ramos foi liberado em 1937. Não muito tempo depois, em 1938, o escritor publicou o livro que talvez seja sua obra mais famosa: Vidas Secas. Confira abaixo um resumo de suas principais obras.

(...)

(Fonte: VIGIANNO, Giuliana. Conheça vida e obra de Graciliano Ramos, autor de 'Vidas Secas' e 'Angústia'. Disponível em: revista Galileu / http://glo.bo/4eABQGe)

ANO 2024 - Bem-vindos!

CARDÁPIO DO MÊS - Abril 2024

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