segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Trilha Antirracista / Literatura: TAMBÉM OS BRANCOS SABEM DANÇAR, de Kalaf Epalanga

“Também os brancos sabem dançar” nos faz entender o mundo ao som do Kuduro

O músico e escritor luso-angolano Kalaf Epalanga, em seu empolgante romance musical, nos conta sobre a cena da música eletrônica produzida por comunidades pobres através do mundo e disseminada, pelo fluxo migratório, principalmente na Europa

O Kuduro está para Portugal e os países lusófonos em geral, sobretudo Angola, mais ou menos como o funk carioca está para as comunidades do Brasil. O ritmo surgiu, pasmem, a partir de um trecho do filme “Kickboxer”, particularmente uma cena em que Jean Claude Van Damme dança de maneira um tanto incomum e desengonçada em um bar.

Tony Amado criou o gênero a partir de seus pads eletrônicos ao imaginar a dança do astro que, segundo ele, tinha a “bunda dura”. A piada virou febre mundial, derrubou barreiras e se alastrou pelo mundo. No Brasil, o ritmo virou abertura da novela Avenida Brasil, de 2012, onde o hit “Vem dançar Kuduro” se transformou no ingênuo “Vem dançar com tudo”.

Quem conta esta e outras tantas histórias a respeito do Kuduro, é o escritor e músico angolano Kalaf Epalanga, em seu romance musical “Também os brancos sabem dançar”. No livro, em linguagem fluida e divertida, ele fala, a partir de uma enrascada, quando se encontrou sem passaporte na fronteira entre a Suécia e a Noruega, sobre a cena da música eletrônica produzida por comunidades pobres através do mundo e disseminada, pelo fluxo migratório, principalmente na Europa.

Epalanga nos dá, como poucos, uma visão da amplidão e responsabilidade que os sequenciamentos eletrônicos, DJs e músicos especializados passaram a ter no intercâmbio entre artistas e países mundo afora.

Lançado há cerca de um ano, mas que ganhou maior projeção no Brasil graças à participação de seu autor na Flip deste ano, “Também os brancos sabem dançar” é repleto de detalhes e histórias. Serve como um guia para o ouvinte que pretende aprender, não só sobre o Kuduro, mas também sobre tendências que dominam as pistas, redes sociais e plataformas de música por demanda mundo afora.

Epalanga, junto com a sua banda Baraka Som Sistema, tem vários álbuns lançados e conta também com participações de diversos músicos do planeta, inclusive a brasileira Karol Conka, com quem gravou “Bota”, uma das faixas mais executadas da sua página no Spotify.

O que parece menos interessar ao autor, no entanto, é divulgar a sua banda, que está em recesso e ninguém sabe quando ou se volta. O músico, apaixonado por artistas do mundo, se mostra muito mais voltado a mostrar transformações surgidas através e pela música. No livro, por exemplo, é possível conhecer uma Lisboa muito além daquela cantada por nossos patrícios. Uma outra cidade incendiada pela música dos afrodescendentes, que ajudaram a transformar e modernizar a capital lusitana.

“Também os brancos sabem dançar” é um livro e tanto, que quebra paradigmas e preconceitos, nos abre de maneira generosa e apaixonada o universo da música eletrônica e nos ajuda a entender com muito mais clareza este bravo novo mundo.

Leia mais sobre esse livro:

- OLIVEIRA, Acauam. No Passinho do Kuduro. Disponível em: Quatro Cinco Um - A Revista dos Livros / https://bit.ly/3xFIzbL
- OLIVEIRA, Joana. Kalaf Epalanga, o estrangeiro que conquistou o mundo. Disponível em: brasil.elpais.com / https://bit.ly/3yOTjpJ
- EPALANGA, Kalaf. Kalaf Epalanga, Músico e Escritor. Disponível em: Goethe-Institute Brasilien / https://bit.ly/2VQK9Ln)
- DUARTE, Rafael. A língua é a primeira ferramenta de opressão. Disponível em: jornalistaslivres.org / https://bit.ly/3AGuo8c)

Vídeo-resenhas:

Entrevista com Kalaf Epalanga sobre seu livro

(Fonte: canal Litera Tamy - YouTube / https://bit.ly/2UdJgvi)

(Fonte: canal Ler e Ver - YouTube / https://bit.ly/3yNRAkt)

A origem do Kuduro e da Kizomba

(Fonte: canal Leia - YouTube / https://bit.ly/3sjlquH)

Kalaf Epalanga & Noemia Colonna @ African Book Festival Berlin 2021 (entrevista em inglês)

(Fonte: canal African Book Festival Berlin - YouTube / https://bit.ly/3lXAr4l)

Quem é Kalaf Epalanga?

Foto: Duarte Roriz
Kalaf Epalanga nasceu em Benguela, em 1978. É também conhecido como Kalaf Ângelo. Foi criado no seio de uma família de funcionários públicos. A música e os palcos sempre fizeram sentido na sua vida. A partir dos anos 90, quando em Portugal se começam a ouvir novas sonoridades e linguagens rítmicas, foi quando deu os primeiros passos na música. Em conjunto com João Barbosa funda o grupo Buraka Som Sistema, em 2006, que obtém grande sucesso até à atualidade. Participou como letrista no Festival da Canção 2007, com o tema Será Cedo, para as vozes de Melo D e Elaisa. Para além de músico também é escritor, tendo já publicado vários livros: Estórias de Amor para Meninos de Cor (2011) e O Angolano que comprou Lisboa (por metade do preço) (2014). Voltou ao Festival da Canção 2015 como co-letrista do tema Lisboa, Lisboa, numa parceria com Sara Tavares, para a voz de Rita Seidi. Tem colaborado frequentemente com Sara Tavares, entre outros artistas para os quais também é letrista. Mais recentemente, em 2017 publicou o livro Também Os Brancos Sabem Dançar, e é um dos maiores divulgadores da lusofonia nas suas várias vertentes no nosso país. [...].

(Fonte: EPALANGA, Kalaf. Kalaf Epalanga, Músico e Escritor. Disponível em: Goethe-Institute Brasilien / https://bit.ly/2VQK9Ln)

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Trilha Antirracista / Literatura: CIDADÃ DE SEGUNDA CLASSE, de Buchi Emecheta

Na Nigéria dos anos 60, Adah precisa lutar contra todo tipo de opressão cultural que recai sobre as mulheres. Nesse cenário, a estratégia para conquistar uma vida mais independente para si e seus filhos é a imigração para Londres. O que ela não esperava era encontrar, em um país visto por muitos nigerianos como uma espécie de terra prometida, novos obstáculos tão desafiadores quanto os da terra natal. Além do racismo e da xenofobia que Adah até então não sabia existir, ela se depara com uma recepção nada acolhedora de seus próprios compatriotas, enfrenta a dominação do marido e a violência doméstica e aprende que, dos cidadãos de segunda classe, espera-se apenas submissão.
"A prosa de Emecheta tem o brilho da originalidade, da língua sendo reinventada... Questões de sobrevivência estão no âmago de seu trabalho e dão peso às suas histórias." John Updike

Resenhas indicadas:
- SOUZA, Patrícia. [Resenha] Cidadã de Segunda Classe - Buchi Emecheta. Disponível em: leitorcabuloso.com.br / https://bit.ly/3m4SVQe);
- D'ANGELO, Luisa Bertrami. 14 citações do livro Cidadã de Segunda classe, da escritora nigeriana Buchi Emecheta. Disponível em: notaterapia.com.br / https://bit.ly/2UgXpYQ);

Vídeo-resenhas:
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Cidadã de Segunda Classe - Buchi Emecheta / Entre Nigéria e Inglaterra
(Fonte: canal B de Barbárie / YouTube / https://bit.ly/3xQT4tb)

Quem foi Buchi Emecheta?
(Fonte: canal Christian Assunção / YouTube / https://bit.ly/3yG7tcL)

Cidadã de Segunda Classe / Literatura Nigeriana 
(Fonte: canal 1984 Livros / YouTube / https://bit.ly/2VTymeW)

Quem foi Buchi Emecheta?

No dia 25 de janeiro de 2017, o mundo perdia uma obstinada voz da literatura, que inspirou uma geração inteira de escritores de língua inglesa. A partir de seus escritos, Florence Onyebuchi “Buchi” Emecheta comprometeu-se em corrigir os estereótipos da mulher nigeriana e africana, expondo sua realidade diária e a opressão das normas sociais. Sua obra questiona, entre outros temas, a educação da mulher, a valorização da maternidade como única preocupação possível, a violência degradante do colonialismo e a cultura que deslegitima sua autonomia.

Buchi Emecheta nasceu em 1944 na cidade yoruba de Lagos, mas foi na terra natal de seus pais, Ibuza, onde ela passou boa parte da infância. Alice Ogbanje Emecheta e Jeremy Nwabudike Emecheta, que foram buscar trabalho em Lagos, faziam questão de cultivar em Buchi e em seu irmão as raízes igbo.

Uma das paixões da menina era ouvir histórias dos mais velhos. Em Lagos, conheceu bons contadores, mas, para ela, a maneira igbo era diferente. Cresceu ouvindo a tia, a quem chamava de Grande Mãe – as contadoras, seguindo a tradição local, eram sempre mães de alguém. Buchi costumava sentar “por horas a seus pés, hipnotizada pela sua voz de transe”, deleitando-se com as proezas de seus ancestrais. As visitas a Ibuza, aliadas ao prazer e ao conhecimento obtidos com as narrativas, trouxeram a Emecheta a certeza de que seria, também, uma contadora de histórias.

Durante a infância, seu irmão, privilegiado por ser menino, foi para a escola, enquanto Buchi ficou em casa. Mais tarde, após diversos e insistentes pedidos, foi matriculada em uma escola missionária para meninas, onde aprendeu línguas nativas e o inglês – seu quarto idioma.

Apesar dessa conquista e do prazer de visitar Ibuza, Buchi Emecheta viveu uma infância dura. No entanto, a pobreza e a subnutrição que assolaram boa parte de seus anos de juventude, somadas à perda precoce de seu pai – tinha apenas oito anos –, não lhe diminuíram a vontade de viver: um desejo intenso que nunca a abandonaria.

Em 1954, recebeu uma bolsa de estudos em uma escola de elite, em Lagos. Durante esse período, a mãe de Emecheta faleceu, e ela foi passada de um parente distante para outro. No período de recesso dos estudos, enquanto suas colegas voltavam para as confortáveis casas das famílias, ela permanecia no dormitório da escola, encontrando abrigo nos livros e na imaginação. A volta das férias era seu momento de brilhar, maravilhando as colegas com histórias sobre suas supostas aventuras.

Aos 11 anos, ela conheceu e se tornou noiva do estudante Sylvester Onwordi; aos 16, eles já estavam casados. Logo nos primeiros anos, nasceram dois filhos – chegariam a cinco no total. A família mudou-se para Londres, onde Onwordi entrou para a universidade.

Emecheta viveu um casamento infeliz e, não raro, abusivo e violento. Quando começou a escrever em seu tempo livre, chegando ao rascunho de um romance, viu Onwordi queimar os textos, consumido por um absurdo sentimento de posse e ameaçado pela força de vontade da esposa e seu desejo de conquistar uma graduação e tornar-se escritora. Aos 22 anos, Buchi consumou o divórcio, no entanto, Onwordi renegou a paternidade. Sem dinheiro, em um país estranho a ela e com seus cinco filhos para cuidar, manteve-se com obstinação e trabalhou em lugares como a Biblioteca de Londres, enquanto estudava à noite. Em 1974, estava graduada em Sociologia.

A graduação e os pequenos trabalhos eram movidos, desde o princípio, pela vontade de escrever, aprimorar seu inglês e sua comunicação com o resto do mundo. Depois de diversas rejeições, recebeu uma oportunidade como colunista no periódico inglês New statesman, onde escreveu sobre experiências pessoais. Os textos tornaram-se a base do primeiro livro, In the ditch [Na vala] (1972). Dois anos depois, publicou Second-class citizen [Cidadão de segunda classe]. Enquanto os dois primeiros romances de Emecheta são de caráter autobiográfico com alguns elementos ficcionais, as obras subsequentes apresentam um tom de resgate histórico, tendo como cenário a Nigéria igbo colonial do início do século XX, a África que sua mãe conheceu.

The bride price [O preço da noiva] (1976) foi escrito pouco antes de sua mudança para New Jersey, nos Estados Unidos, onde trabalhou como assistente social. Reconstrução do manuscrito destruído pelo ex-marido, a obra relata a história de uma mulher que desafia os costumes de sua tribo ao casar-se com um homem que não pertence à mesma classe social que ela. The slave girl [A pequena escrava] (1977), uma denúncia à opressão patriarcal sobre as mulheres e seus corpos, tem como protagonista uma menina órfã vendida pelos irmãos para um parente distante.

Emecheta manifestava, em textos diversos, sua necessidade de se comunicar e de atenuar angústias com páginas escritas. É natural imaginar, portanto, sua reação ao descobrir que uma de suas filhas iria morar com o pai, Onwordi. Devastada, escreveu em seguida seu livro de maior repercussão e recepção positiva ao redor do mundo: As alegrias da maternidade (1979), título abertamente irônico, que recebeu sua primeira tradução para o português na edição da TAG enviada aos associados do clube em outubro de 2017, sendo ao mesmo tempo a primeira obra de Emecheta editada no Brasil.

Tendo como cenário a mesma Nigéria colonial da primeira metade do século XX, a obra narra a trajetória de uma jovem igbo, Nnu Ego, cujas escolhas serão guiadas pelo que é esperado de uma mulher em seu contexto social: ser mãe. Depois de casada, Nnu Ego percebe que não consegue gerar filhos, uma das maiores decepções e desgraças para uma mulher de sua cultura. Seus sofrimentos não parecem terminar quando ela finalmente consegue dar à luz. As condições para sustentar os filhos vão se mostrando cada vez mais precárias, ao mesmo tempo em que a vida em Lagos, sua nova e urbanizada terra de moradia, impõe-lhe uma adaptação para a qual não se sente preparada. Sua vida é diretamente atingida pelas influências da cultura do colonizador inglês, transformando os valores tradicionais de sua terra de origem.

Os percalços vividos por Nnu Ego refletem uma cultura de violenta opressão patriarcal e colonial. Buchi Emecheta explicita em sua obra a prisão em que vive a mulher da Nigéria e sua clara posição de subordinação ao homem, tanto o nigeriano quanto o europeu, com relações de poder diferentes, mas sempre inferiorizada.

Depois da publicação de As alegrias da maternidade, a autora escreveu diversos outros romances, com destaque para Destination Biafra (1982), o primeiro a apresentar a perspectiva de uma mulher sobre a Guerra Civil Nigeriana. Aventurou-se, também, no universo infantojuvenil, em projetos para televisão e em uma autobiografia – que inclui, entre outras histórias, as origens de As alegrias da maternidade. Em toda a sua carreira, dentro e fora dos livros, mostrou preocupação com a educação e empoderamento da mulher.

Em janeiro de 2017, aos 72 anos e debilitada pela demência, Emecheta faleceu. Sua obra expandiu as representações da mulher africana ao redor do mundo, estabelecendo-a como uma das melhores contadoras de histórias de seu tempo. “Existem milhões de mulheres africanas que nunca deixam suas casas, nunca deixam seus vilarejos; esposas em vilarejos continuam na escravidão. Quanto aos meus livros, eles podem ser positivos, ou podem ser negativos. Mas eu acredito que se você cria uma heroína, seja africana ou europeia, com educação – não necessariamente com dinheiro, mas educação – ela ganha a confiança para poder lidar com o mundo moderno”.

(Fonte: taglivros.com / https://bit.ly/3sbh4pn)

Trilha Antirracista / Literatura: EU TITUBA: BRUXA NEGRA DE SALEM, de Maryse Condé

A OBRA-PRIMA DE MARYSE CONDÉ, EM TRADUÇÃO DA PREMIADA ESCRITORA NATALIA BORGES POLESSO, COM PREFÁCIO DA ACLAMADA ESCRITORA CONCEIÇÃO EVARISTO

Em Eu, Tituba: bruxa negra de Salem, a escritora caribenha Maryse Condé dá voz e corpo a uma das primeiras mulheres julgadas durante o pânico moral em torno das bruxas em Salem, Massachusetts, e silenciada por três séculos, devido à implacável historiografia racista.

A história de Tituba é a história das mulheres da diáspora e do povo negro. É também a história de todas as pessoas que seguem a própria verdade, em vez de professar a fé do colonizador. É a história dos e das dissidentes e dos seres de alma livre. Por isso é uma história bela e complexa, cujo final, a despeito dos infortúnios, é sempre benfazejo, pois é a história dos que resistem.

Maryse Condé anota no início deste grande romance: "Tituba e eu vivemos uma estreita intimidade durante um ano. Foi no correr de nossas intermináveis conversas que ela me disse essas coisas que ainda não havia confiado a ninguém." Da mesma forma, quem lê Tituba poderá ouvi-la falar, a partir do invisível, e com ela aprenderá sua arte, que, por curar, desestabiliza estruturas cristalizadas, medeia novas concepções de identidades e culturas e protege as pessoas insurgentes.

Dica de artigo com mais comentários sobre esta obra:

- Quatro Motivos Para Ler Maryse Condé - Grupo Editorial Record/Blog (https://bit.ly/2U7pBx1)


VÍDEO-RESENHAS:

Eu, Tituba: Bruxa Negra de Salem

(Fonte: canal Epílogo Literatura - YouTube / https://bit.ly/3xB4P6M)

Eu, Tituba: Bruxa Negra de Salem

(Fonte: canal aharom TV - YouTube / https://bit.ly/3scPpo5)

Eu, Tituba
(Fonte: canal Will - Transgressão Literária - YouTube / https://bit.ly/3CGpqKH )

Eu, Tituba (...) - Silenciada da Própria História
Fonte: canal Elefante Literário - YouTube / https://bityli.com/59xPL) 

QUEM É MARYSE CONDÉ?

(Fonte: arquivo UOL)
(Fonte: arquivo UOL)
Maryse Condé (Guadalupe, 11 de fevereiro de 1937) é uma reconhecida escritora francesa, feminista e ativista, difusora da história e a cultura africana nas Caraíbas. Destaca-se pela sua vasta produtividade como autora e pela sua versatilidade para escrever ficção histórica, contos, romances, ensaios, poemas e outros géneros. É especialmente conhecida pelo seu romance Segu (1984–1985). Nascida como Maryse Boucolon em Pointe-à-Pitre, Guadalupe, foi a menor de oito irmãos. Depois de se graduar na escola secundária foi enviada para o Lycée Fénelon e para Sorbonne em Paris, onde obteve um doutoramento em Literatura Comparada. Em 1959 casou-se com Mamadou Condé, um ator guineense. Depois da sua graduação foi professora na Guiné, Gana e Senegal. Em 1982 divorciou-se, e voltou a casar-se no ano seguinte, com Richard Philcox, tradutor da maioria dos seus romances para língua inglesa. Em 1985 Condé obteve uma bolsa Fulbright para ensinar nos Estados Unidos, como professora na Universidade de Columbia em Nova Iorque.

Além de seus livros, Condé teve uma distinta carreira acadêmica. Em 2004 retirou-se da Universidade de Columbia como Professora Emérita de Francês. Anteriormente ensinou na Universidade de Califórnia, Berkeley, UCLA, a Sorbonne, A Universidade de Virginia e a Universidade de Nanterre.

Em 2018, Condé venceu o prémio de literatura alternativo ao Nobel, suspenso naquele ano por acusações de corrupção e assédio sexual de jurados.

Os romances de Condé exploram assuntos raciais, de género e culturais numa variedade de eras históricas.

Centram-se nas relações entre os povos africanos e a diáspora, especialmente nas Caraíbas. Tem tomado uma distância considerável da maioria dos interesses dos movimentos literários das Caraíbas, como a negritude, abordando com frequência temas com uma forte visão feminista. Ativista tanto no seu trabalho como na sua vida pessoal, Condé admitiu: "não poderia escrever qualquer coisa... a não ser que tenha uma importância política segura". As suas obras tomaram um género autobiográfico, como Memórias de Minha Infância e Vitória, uma biografia da sua avó. Quem cortou a garganta de Celanire tem também rastos de sua bisavó paterna.

(Fonte: wook.pt / https://bit.ly/3iDsrU1)

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Língua Portuguesa: redação / artigo de opinião

COMO FAZER UM ARTIGO DE OPINIÃO
Para escrever um artigo de opinião você precisa de duas coisas: ter argumentos que sustentem a sua visão sobre o tema do artigo e conhecer a estrutura do texto dissertativo-argumentativo.

Passo a passo para fazer artigo de opinião

Se o tema for escolhido por você, escolha algo sobre o qual já tenha opinião formada, ou pelo menos seja do seu interesse.

Pesquise sobre o tema e recolha dados, em jornais, livros, revistas e sites fiáveis.

Organize suas ideias e faça um esboço da estrutura do seu texto, que deverá conter introdução, desenvolvimento e conclusão.

Comece a redigir o seu texto. Na introdução, apresente o tema e diga por que é importante pensar sobre ele.

No desenvolvimento, assuma a sua posição. Expondo os seus argumentos, esclareça se você é a favor ou contra e o que pensa sobre o tema.

Ainda no desenvolvimento, contra-argumente. Imagine ou pesquise argumentos contra a sua posição e responda a isso.

Na conclusão, resuma as suas ideias e deixe claro qual a sua posição.

1. Escolha e reflita sobre o tema

Dependendo do caso, o tema do seu artigo de opinião pode ser indicado por alguém, mas se a escolha estiver nas suas mãos, escolha algo sobre o qual esteja confortável para escrever ou, que apesar de ainda não saber muito a respeito, está motivado a pesquisar e a dizer o que pensa.

Lembre-se que os artigos de opinião abordam temas polêmicos e atuais, o que provoca a curiosidade dos leitores. As pessoas têm interesse em conhecer a opinião de outras sobre temas que geram debate. Isso porque boas argumentações podem influenciar a nossa própria visão sobre as coisas.

Exemplo: Em tempos de Covid-19, há muita discussão em torno de lockdown e ensino à distância. Assim, ambos podem ser bons temas para escrever artigos de opinião.

2. Pesquise sobre o tema

Consulte diversas fontes a fim de ampliar seus conhecimentos sobre o tema e conhecer opiniões diferentes das suas.

Recolha dados que possam ser apresentados ao leitor - relatos, leis, gráficos, pesquisas. Lembre-se que um artigo que apresenta fundamentos é muito mais credível.

Veja o exemplo:

“Existe um importante estudo de Michael Apple (2003), a obra Educando à direita: mercados, padrões, Deus e desigualdade, na qual o autor abre a introdução com a frase “A temporada de caça à educação continua aberta” (p.1). Ele faz afirmações que grupos conservadores têm tomado posse da educação (...)
Para o autor, estes grupos defendem suas ideias usando a justificativa quanto a melhoria do padrão de qualidade, por meio de avaliações e para desta forma aumentar o nível de exigências tanto em relação ao desempenho de professores, quanto dos estudantes que devem, portanto, se alinhar com as lógicas de mercado neoliberais.”
(Trecho de artigo de opinião “Conec-atados - pela defesa de um projeto civilizatório”, publicado no Jornal Opção, em 14 de junho de 2020, e assinado por Gabriel Rocha Freitas)

3. Faça um esboço da estrutura do seu texto

Antes de começar a escrever, pense em como contextualizará o leitor sobre o tema e que argumentos - e contra-argumentos - apresentará para convencer quem lê o seu artigo. Faça um rascunho com tudo o que vem na cabeça.

Em seguida, organize as suas ideias pensando na estrutura do seu texto:

·         introdução - contextualização do tema;

·         desenvolvimento - argumentação e contra-argumentação;

·         conclusão - resumo das ideias.

Se o meu artigo de opinião tem como tema o ensino à distância, posso organizá-lo conforme abaixo.

Exemplo de parte de introdução: Com a pandemia, fomos obrigados a mantermos o isolamento e, nessa situação, o ensino precisou se adaptar a essa realidade em que professores e alunos não precisem estar fisicamente no mesmo ambiente. No entanto, essa prática apresenta uma série de desvantagens para os professores …

Exemplo de parte de desenvolvimento: Cientes da necessidade de isolamento, os professores tiveram de se preparar para garantir que a educação não parasse, no entanto, enquanto muitos enxergam apenas vantagens para o fato de trabalhar em casa, a realidade é outra, pois gerir uma rotina de sala de aula sem contar com o olho no olho dos alunos não é fácil. Agora, os professores têm que se esforçar muito mais para ensinar e para perceber as dificuldades de cada aluno, tendo que reinventar a cada aula ...

Há quem considere que, em contrapartida, os professores têm menos custos (com transporte, alimentação), mas esses não consideram que esta realidade exige outros tipos de custos, como despesas com eletricidade, internet e restantes equipamentos necessários para o funcionamento das suas aulas …

Exemplo de parte de conclusão: O ensino à distância apresenta vantagens e desvantagens. Embora seja preciso enxergar ambas, ao compará-las, conseguimos perceber que o esforço dos professores aumentou em tempos de Covid-19.

4. Comece a redigir

A primeira coisa que tem que ser feita num artigo de opinião é apresentar o tema ao leitor para que ele entenda o que será discutido no texto e porquê.

Esclareça o motivo pelo qual o tema é polêmico, ou seja, por que ele é um problema que merece ser discutido. Isso fará parte da introdução.

Veja o exemplo:

“A ideia de armar a população como medida de segurança pública é controversa, mas debatível. Dá para tecer argumentos racionais contra e a favor. Bolsonaro, porém, cruzou a linha vermelha da racionalidade ao dizer que é preciso armar a população para “impedir uma ditadura”. E é por isso que esse texto está aqui. A cobertura do dia-a-dia da política não faz parte do escopo de assuntos da SUPER, mas os debates sociais fazem.”
(Trecho de artigo de opinião “Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”, publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por Alexandre Versignassi)

5. Assuma a sua posição

No desenvolvimento, você deve explicar muito bem a sua posição e expor os seus argumentos, fundamentando o que escreve.

Argumente e seja convincente a ponto de influenciar as pessoas que leem o seu artigo e propiciar a reflexão crítica. Para tanto, o seu texto deve ser coeso e coerente, o que lhe garantirá mais credibilidade.

Veja o exemplo:

“A discussão sobre a imposição de lockdowns deve ficar exclusivamente entre as autoridades. Se o Presidente discorda das medidas, sem problemas: que converse com os governadores e prefeitos. Se não se chega a um acordo com os governadores e prefeitos, não há o que fazer. Ele deve obedecer a Constituição – que dá autonomia aos Estados e às cidades para decidir o que abre e o que fecha.”
(Trecho de artigo de opinião “Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”, publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por Alexandre Versignassi)

6. Contra-argumente

Ainda no desenvolvimento, é muito interessante você imaginar um leitor que contesta a sua ideia/opinião, ou seja, que apresenta ideias devidamente argumentadas, mas contrárias às suas.

Antecipando essa situação, você escreve contra-argumentos, mostrando o motivo pelo qual, apesar dos argumentos expostos, essas eventuais ideias não são viáveis.

Veja o exemplo:

“E se o Presidente não concorda com a Constituição, que encontre apoio no Congresso para alterá-la – sim, a ideia de acabar com os isolamentos é estapafúrdia, anticientífica e aumenta o número de mortos, mas um Presidente pode tentar convencer o Congresso de que está certo.”
(Trecho de artigo de opinião “Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”, publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por Alexandre Versignassi)

7. No fim, deixe claro qual a sua posição

Depois de argumentar e contra-argumentar nos parágrafos do desenvolvimento do seu texto dissertativo-argumentativo, você deve indicar qual a conclusão tirada em torno das discussões acerca do tema.

Em meio a exposição de tantas ideias, esta parte é essencial para o leitor entender a sua opinião.

Veja o exemplo:

“O anti-intelectualismo, a perseguição aos saberes científicos, se alimentará do ponto-fraco da educação para fortalecer rumo às trevas. Ead significa precarização do trabalho do professor, (leia-se: exploração), significa a “uberização”, o esvaziamento dos debates, a perda na rigidez do método científico, o subemprego, o fim do concurso público, o fim da profissão do professor, e o surgimento do “educador empreendedor” que se colocará no mercado competitivo com aulas show, criativas, espetacularizadas para garantir o seu lugar no mercado com seu CNPJ, sem direitos, mas com obrigações e sem aposentadoria “conec-atados”, conectados pela tecnologia e atados e silenciados pelas perseguições que já se iniciaram.”
(Trecho de artigo de opinião “Conec-atados - pela defesa de um projeto civilizatório”, publicado no Jornal Opção, em 14 de junho de 2020, e assinado por Gabriel Rocha Freitas)

(Fonte: FERNANDES, Márcia. Como Escrever um Artigo de Opinião. Disponível em: todamateria.com.br / https://bit.ly/2TphLhq)

Observação: no Padlet SITES QUE (IN)FORMAM, da Sala de Leitura, você encontrará vários sites excelentes para complementar seu estudo e suas técnicas de redação com o objetivo de que tenham sucesso ao realizarem a prova do ENEM. Além disso, lá você poderá visualizar o e-book "Guia Completo Para Redação do ENEM". Neste guia, você aprende como deve ser o formato da redação, quais são os critérios de avaliação e vê exemplos de redações de sucesso e dicas de quem tirou nota 1.000 e é especialista no assunto. 🔗Para acessar o padlet basta copiar e colar o endereço 2𝒊5𝒎𝒙𝒙𝒓𝒅8𝒚𝒎𝒙𝒆6𝒙 na barra de busca do Google.

Outros artigos com dicas de redação:

  •  DINIZ, Yasmine. Descubra como escrever um bom artigo de opinião - publicado em 27/03/2020. Disponível em: blog.imaginie.com.br /  https://bit.ly/3ge7a25
Alguns vídeos sobre como construir um artigo de opinião e suas características 

Artigo de Opinião
(Fonte: canal Brasil Escola / Guga Valente - YouTube / https://bit.ly/3zmXxFG)

Como Fazer um Artigo de Opinião
(Fonte: canal Caminhos da Linguagem - YouTube /https://bit.ly/3gcvzFd)

Redação: Como Escrever um Artigo de Opinião ENEM
(Fonte: canal Educa Mais Brasil - YouTube / https://bit.ly/3veP0Bz)

Artigo de Opinião: como fazer?
(Fonte: canal Lu Ensina - YouTube / https://bit.ly/3pI3yIG)

Como Escrever um Artigo de Opinião
(Fonte: canal Curso ENEM Gratuito - YouTube / https://bit.ly/3cvTTQb)

Artigo de Opinião: características
(Fonte: canal Redação e Gramática Zica - YouTube / https://bit.ly/2TkymDo)

Gêneros Jornalísticos
(Fonte: canal Brasil Escola - YouTube / https://bit.ly/3iB22H0)

segunda-feira, 7 de junho de 2021

LIVRO DA SEMANA: MACUNAÍMA, de Mário de Andrade

"Este livro, afinal, não passa de uma antologia¹ do folclore brasileiro." (
Mário de Andrade)
O termo rapsódia pode ser utilizado tanto na música quanto na literatura e significa uma obra composta com trechos de outras obras literárias ou musicais, alinhavados entre e si e que formam uma colagem, uma unidade. Foi assim que Mário de Andrade criou seu romance mais famoso, Macunaíma, pois ele queria expressar a pluralidade da realidade brasileira em todos os seus aspectos e através dessa colagem criar uma única identidade nacional. Para isso, o escritor criou uma narrativa seguindo os preceitos da produção literária modernista. 
O livro, que tem um caráter épico², é considerado um dos romances mais importantes do modernismo brasileiro, foi escrito em 1926 e publicado em 1928.
1. conjunto/coletânea de trechos seletos de diferentes obras; coleção de várias obras ou coisas.
2. que relata, em versos, uma ação heroica; relativo a ou próprio de epopeia ou de heróis.

[...] Assim ele faz de Macunaíma uma rapsódia: uma colagem das lendas, mitos, tradições, religiões, falares, hábitos, comidas, lugares, fauna e flora do Brasil. A grande genialidade da obra foi conseguir unir esses muitos elementos em uma narrativa coesa.
Para isso, Mário de Andrade lança mão de algumas características da composição modernista. O espaço em Macunaíma não segue as regras da verossimilhança dos romances realistas. O herói passa de um lugar distante para o outro em poucos passos [...]  O que dá unidade ao espaço no romance não é a distância física entre os lugares e sim suas características. [...]
(Fonte: culturagenial.com / https://bit.ly/2S6R7tL)

Enfrentar o desafio de construir uma obra dessas, com tamanho volume de informações só foi possível graças ao grande conhecimento de Mário de Andrade sobre a cultura e a diversidade do Brasil, que sempre foi um país continental que apresenta uma vasta gama de regionalismos, de uma pluralidade cultural imensa. 
Nessa colagem, o autor insere personagens históricos em contextos inusitados, ressignifica símbolos nacionais e mistura lendas indígenas com inovações tecnólogicas da época. 

Um aspecto importante desta obra é o emprego que o escritor faz de uma linguagem muito próxima da oralidade e que é um mix de falares regionais, estrangeirismos e termos indígenas. Portanto, "Macunaíma, o herói sem caráter" representa essa o povo brasileiro que está em busca dessa unidade nacional e vai se adaptando a cada situação diferente conforme elas surgem pelo caminho.  

[...] Mas quando falamos de Macunaíma, a linguagem encontrada e o estilo de escrita é ainda mais excêntrico. Isso porque Mário de Andrade quis romper barreiras, trazendo exclusivamente o brasileirismo em seus escritos. Assim sendo, nos deparamos com um estilo poético, com termos indígenas estampados em todos os cantos (pois vejam só, não existe mais brasileiro que o tupi).
E isso é assustador de imediato. Eu me lembro da primeira vez que li, por obrigatoriedade essa obra. Quis chorar, pois era adepta ao “politicamente correto”, com o português formal, com termos provindos de países europeus. Conhecia a mitologia grega de cabo a rabo, mas nada sabia sobre nosso folclore. [...]
(Fonte: cladoslivros.com.br / https://bit.ly/3x3LvPD)

(Texto: André Luiz Gattás)

CURIOSIDADES SOBRE MACUNAÍMA

  • Mário de Andrade disse que escreveu Macunaíma em 6 dias, deitado na rede de uma chácara em Araraquara, São Paulo. 

  • Nos dicionários, “macunaíma” significa: 1. entidade mitológica ameríndia criadora de de todas as coisas; 2. indivíduo preguiçoso e que tenta enganar os outros

  • Em 1969, foi lançado um filme de nome Macunaíma, baseado na obra de Mário de Andrade. Trata-se de uma comédia escrita e dirigida pelo cineasta brasileiro Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988). 

(Fonte: todamateria.com.br / https://bit.ly/2Rt91Gy)

Mário de Andrade e Araraquara

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter
foi escrito na chácara de Pio Lourenço Correa, benfeitor de Araraquara, em uma semana de rede e muito cigarro, de 16 a 23 de dezembro de 1926. Nascido em 1893, Mário na infância juntava-se periodicamente na capital aos seus primos araraquarenses, da família de Cândido Lourenço Corrêa da Rocha, marido de sua tia Isabel.
O escritor esteve várias vezes na Chácara Sapucaia que hoje abriga o centro cultural. Em algumas, para se recuperar de crises emocionais, como a perda de seu irmão Renato em 1913, e em outras, para passar férias, como em 1926, quando redigiu a rapsódia transformada no livro Macunaíma. Ao completar 40 anos, Mário sofreu séria crise de depressão. Com fases mais brandas ou profundas, a doença acompanhou-o até o fim de sua vida. Enfermo, sempre recorreu às temporadas em Sapucaia.
Foi membro ativo de uma renovação estética e ideológica, buscava na mudança e na transição argumentos destacáveis para sua eterna luta: a da recuperação do sentido de ‘ser brasileiro’. Sua figura representa, até hoje, o grande questionador da cultura e da arte que estavam alimentando o Brasil do início do século 20. Com Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Mário foi um dos mais fortes defensores da cultura do povo brasileiro e de seu resgate, enfatizando o retorno às origens, sem perder de vista as influências estrangeiras.

(Fonte: UNESP: Berço de Macunaíma é preservado como Centro Cultural em Araraquara, publicado em 21/01/2004. Disponível em: saopaulo.sp.gov.br / https://bit.ly/3v1LTwF)

"Macunaíma" foi escrito por Mário de Andrade em 1926, quando ele "refugiou-se" na fazenda Sapucaia do "tio Pio". Mário de Andrade teria escrito a obra em uma semana.
Pio Lourenço Corrêa foi, além de parente, amigo e correspondente de Mário de Andrade durante muitos anos.
A fazenda Sapucaia, que era o antigo nome do local onde hoje fica a chácara doada por Heleieth Saffioti à Unesp no dia 7 de dezembro, pertencia a Pio Lourenço Corrêa, um intelectual autodidata, que, entre outras coisas, estudou tupi para buscar a origem da palavra "Araraquara", comprando uma briga com os filólogos da época. Pio contestou a vertente que defendia, como muitos defendem até hoje, que "Araraquara" significava algo próximo a "ninho das araras". Para Pio Lourenço Corrêa, a palavra que dá nome à cidade do interior paulista deveria ser traduzida como "morada do sol". É uma das histórias que Renato Corrêa Rocha conta a respeito de Pio Lourenço Corrêa. Rocha é fazendeiro, vive em Araraquara e herdou a propriedade de Lourenço Corrêa, de quem é sobrinho, em 1961, e a vendeu para o casal Saffioti em 1973.
(Fonte: jornal Folha de São Paulo / caderno Ribeirão/ publicado em 17/12/2000. Disponível em: www1.folhauol.com.br / https://bit.ly/3uY0YPN)

- Acesse o site da UNESP e faça o tour virtual para conhecer o Centro Cultural Professores Waldemar e Heleieth Saffioti - Chácara Sapucaia, espaço onde Mário de Andrade escreveu Macunaíma aqui em Araraquara: fclar.unesp.br / https://bit.ly/3za2gdF

Abaixo você pode ler boas resenhas sobre Macunaíma e sobre o Modernismo no Brasil
Vídeo-resenhas sobre o livro Macunaíma e sobre a estética modernista

Macunaíma - Mário de Andrade
(Fonte: canal Cultebook - YouTube / https://bit.ly/34YAl2O)

Macunaíma e o Enigma do Herói às Avessas / José Miguel Wisnik
(Fonte: canal Café Filosófico CPFL - YouTube / https://bit.ly/3x2MI9L)

Karnal: Macunaíma é leitura essencial para entender o Brasil
(Fonte: canal Band Jornalismo - YouTube / https://bit.ly/3cq9CQK)

Resumo e análise crítica do livro Macunaíma, de Mário de Andrade
(Fonte: canal Instituto Realitas - YouTube / https://bit.ly/3gktfe0)

Macunaíma - Resumão #3
(Fonte: canal Lítera Brasil - YouTube / https://bit.ly/3x7sWdc)

Macunaíma: o herói sem nenhum caráter - resenha completa
(Fonte: canal Emily Larissa - YouTube / https://bit.ly/3zcWHez)

Análise concisa sobre Macunaíma e sua importância literária
(Fonte: canal Mundos Impressos - YouTube / https://bit.ly/34UGooL)

Assista ao filme Macunaíma (lançado em 1969, com direção de Joaquim Pedro de Andrade)
(Fonte: canal Bortao - YouTube / https://bit.ly/3x8Wasv)

QUEM FOI MÁRIO DE ANDRADE?

Mário de Andrade foi um dos intelectuais brasileiros mais importantes do século 20. Era poeta, romancista, cronista, musicólogo, fotógrafo e pesquisador do folclore brasileiro.

Teve contato pela primeira vez com o modernismo na exposição de arte de Anita Malfatti. Ao conhecer Oswald de Andrade, passou a ser influenciado pelo movimento modernista.

Mário de Andrade se juntou ao "grupo dos cinco" e passou a fazer parte da vanguarda da arte brasileira. O ano chave para Mário de Andrade e para a cultura brasileira foi 1922. Naquele ano, ele colaborou com a revista Klaxon, participou da Semana de Arte Moderna e lançou um dos seus principais livros, o Paulicéia Desvairada, que se tornou um marco para a literatura brasileira moderna.

Enquanto na Europa nasciam diversas vanguardas artísticas que defendiam a liberdade de criação, no Brasil o parnasianismo era a escola literária mais influente. Os parnasianos pregavam uma poesia metrificada, com rimas ricas e temas que contemplassem o belo.

Mário de Andrade, que era influenciado pelas vanguardas, se tornou um grande crítico do movimento parnasiano. Ele não queria apenas copiar o que era feito na Europa, e sim usar os conceitos das vanguardas europeias para criar uma literatura nacional.

Ele defendeu esta posição no Prefácio Interessantíssimo, uma espécie de manifesto onde reafirma o uso de versos sem métrica, sem rima, e uma linguagem mais simples e próxima do português falado no Brasil. Neste texto, Mário de Andrade também critica as regras rígidas e a linguagem difícil do parnasianismo.

Macunaíma foi o principal livro de Mário de Andrade. Nele estão todos os preceitos que defende. A narrativa é fluída e com muita liberdade, está cheia de elementos nacionais e de palavras originárias do Brasil. Mário conseguiu usar de fato as vanguardas europeias para criar uma literatura nacional.
(Fonte: culturagenial.com / https://bit.ly/3giIRia)

Biografia

- FRAZÃO, Dilva. Mário de Andrade, escritor brasileiro. Disponível em: ebiografia.com / https://bit.ly/2SizrLx

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