Neste blog você encontra resenhas de livros de nosso acervo, além de outras seções voltadas às artes em geral, ao entretenimento, à tecnologia, à ciência e outros assuntos.
“Também os brancos sabem
dançar” nos faz entender o mundo ao som do Kuduro
O músico e escritor
luso-angolano Kalaf Epalanga, em seu empolgante romance musical, nos conta
sobre a cena da música eletrônica produzida por comunidades pobres através do
mundo e disseminada, pelo fluxo migratório, principalmente na Europa
O Kuduro está para Portugal e
os países lusófonos em geral, sobretudo Angola, mais ou menos como o funk
carioca está para as comunidades do Brasil. O ritmo surgiu, pasmem, a partir de
um trecho do filme “Kickboxer”, particularmente uma cena em que Jean Claude Van
Damme dança de maneira um tanto incomum e desengonçada em um bar.
Tony Amado criou o gênero a
partir de seus pads eletrônicos ao imaginar a dança do astro que, segundo ele,
tinha a “bunda dura”. A piada virou febre mundial, derrubou barreiras e se
alastrou pelo mundo. No Brasil, o ritmo virou abertura da novela Avenida
Brasil, de 2012, onde o hit “Vem dançar Kuduro” se transformou no ingênuo “Vem
dançar com tudo”.
Quem conta esta e outras
tantas histórias a respeito do Kuduro, é o escritor e músico angolano Kalaf
Epalanga, em seu romance musical “Também os brancos sabem dançar”. No livro, em
linguagem fluida e divertida, ele fala, a partir de uma enrascada, quando se
encontrou sem passaporte na fronteira entre a Suécia e a Noruega, sobre a cena
da música eletrônica produzida por comunidades pobres através do mundo e
disseminada, pelo fluxo migratório, principalmente na Europa.
Epalanga nos dá, como poucos,
uma visão da amplidão e responsabilidade que os sequenciamentos eletrônicos,
DJs e músicos especializados passaram a ter no intercâmbio entre artistas e
países mundo afora.
Lançado há cerca de um ano,
mas que ganhou maior projeção no Brasil graças à participação de seu autor na
Flip deste ano, “Também os brancos sabem dançar” é repleto de detalhes e
histórias. Serve como um guia para o ouvinte que pretende aprender, não só
sobre o Kuduro, mas também sobre tendências que dominam as pistas, redes
sociais e plataformas de música por demanda mundo afora.
Epalanga, junto com a sua
banda Baraka Som Sistema, tem vários álbuns lançados e conta também com
participações de diversos músicos do planeta, inclusive a brasileira Karol
Conka, com quem gravou “Bota”, uma das faixas mais executadas da sua página no
Spotify.
O que parece menos interessar
ao autor, no entanto, é divulgar a sua banda, que está em recesso e ninguém
sabe quando ou se volta. O músico, apaixonado por artistas do mundo, se mostra
muito mais voltado a mostrar transformações surgidas através e pela música. No
livro, por exemplo, é possível conhecer uma Lisboa muito além daquela cantada
por nossos patrícios. Uma outra cidade incendiada pela música dos
afrodescendentes, que ajudaram a transformar e modernizar a capital lusitana.
“Também os brancos sabem
dançar” é um livro e tanto, que quebra paradigmas e preconceitos, nos abre de
maneira generosa e apaixonada o universo da música eletrônica e nos ajuda a
entender com muito mais clareza este bravo novo mundo.
Leia mais sobre esse livro:
- OLIVEIRA, Acauam. No Passinho do Kuduro. Disponível em: Quatro Cinco Um - A Revista dos Livros / https://bit.ly/3xFIzbL - OLIVEIRA, Joana. Kalaf Epalanga, o estrangeiro que conquistou o mundo. Disponível em: brasil.elpais.com / https://bit.ly/3yOTjpJ - EPALANGA, Kalaf. Kalaf Epalanga, Músico e Escritor. Disponível em: Goethe-Institute Brasilien / https://bit.ly/2VQK9Ln) - DUARTE, Rafael. A língua é a primeira ferramenta de opressão. Disponível em: jornalistaslivres.org / https://bit.ly/3AGuo8c)
Kalaf Epalanga nasceu em
Benguela, em 1978. É também conhecido como Kalaf Ângelo. Foi criado no seio de
uma família de funcionários públicos. A música e os palcos sempre fizeram
sentido na sua vida. A partir dos anos 90, quando em Portugal se começam a
ouvir novas sonoridades e linguagens rítmicas, foi quando deu os primeiros
passos na música. Em conjunto com João Barbosa funda o grupo Buraka Som
Sistema, em 2006, que obtém grande sucesso até à atualidade. Participou como
letrista no Festival da Canção 2007, com o tema Será Cedo, para as vozes de
Melo D e Elaisa. Para além de músico também é escritor, tendo já publicado
vários livros: Estórias de Amor para Meninos de Cor (2011) e O Angolano que
comprou Lisboa (por metade do preço) (2014). Voltou ao Festival da Canção 2015
como co-letrista do tema Lisboa, Lisboa, numa parceria com Sara Tavares, para a
voz de Rita Seidi. Tem colaborado frequentemente com Sara Tavares, entre outros
artistas para os quais também é letrista. Mais recentemente, em 2017 publicou o
livro Também Os Brancos Sabem Dançar, e é um dos maiores divulgadores da
lusofonia nas suas várias vertentes no nosso país. [...].
Na Nigéria dos anos 60, Adah
precisa lutar contra todo tipo de opressão cultural que recai sobre as
mulheres. Nesse cenário, a estratégia para conquistar uma vida mais independente
para si e seus filhos é a imigração para Londres. O que ela não esperava era
encontrar, em um país visto por muitos nigerianos como uma espécie de terra
prometida, novos obstáculos tão desafiadores quanto os da terra natal.Além do
racismo e da xenofobia que Adah até então não sabia existir, ela se depara com
uma recepção nada acolhedora de seus próprios compatriotas, enfrenta a
dominação do marido e a violência doméstica e aprende que, dos cidadãos de
segunda classe, espera-se apenas submissão. "A prosa de Emecheta tem
o brilho da originalidade, da língua sendo reinventada... Questões de
sobrevivência estão no âmago de seu trabalho e dão peso às suas
histórias." John Updike
Resenhas indicadas:
- SOUZA, Patrícia. [Resenha] Cidadã de Segunda Classe - Buchi Emecheta. Disponível em: leitorcabuloso.com.br / https://bit.ly/3m4SVQe);
- D'ANGELO, Luisa Bertrami. 14 citações do livro Cidadã de Segunda classe, da escritora nigeriana Buchi Emecheta. Disponível em: notaterapia.com.br / https://bit.ly/2UgXpYQ);
Vídeo-resenhas:
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Cidadã de Segunda Classe - Buchi Emecheta / Entre Nigéria e Inglaterra
No dia 25 de janeiro de 2017,
o mundo perdia uma obstinada voz da literatura, que inspirou uma geração
inteira de escritores de língua inglesa. A partir de seus escritos, Florence
Onyebuchi “Buchi” Emecheta comprometeu-se em corrigir os estereótipos da mulher
nigeriana e africana, expondo sua realidade diária e a opressão das normas
sociais. Sua obra questiona, entre outros temas, a educação da mulher, a
valorização da maternidade como única preocupação possível, a violência
degradante do colonialismo e a cultura que deslegitima sua autonomia.
Buchi Emecheta nasceu em 1944
na cidade yoruba de Lagos, mas foi na terra natal de seus pais, Ibuza, onde ela
passou boa parte da infância. Alice Ogbanje Emecheta e Jeremy Nwabudike
Emecheta, que foram buscar trabalho em Lagos, faziam questão de cultivar em
Buchi e em seu irmão as raízes igbo.
Uma das paixões da menina era
ouvir histórias dos mais velhos. Em Lagos, conheceu bons contadores, mas, para
ela, a maneira igbo era diferente. Cresceu ouvindo a tia, a quem chamava de
Grande Mãe – as contadoras, seguindo a tradição local, eram sempre mães de
alguém. Buchi costumava sentar “por horas a seus pés, hipnotizada pela sua voz
de transe”, deleitando-se com as proezas de seus ancestrais. As visitas a
Ibuza, aliadas ao prazer e ao conhecimento obtidos com as narrativas, trouxeram
a Emecheta a certeza de que seria, também, uma contadora de histórias.
Durante a infância, seu irmão,
privilegiado por ser menino, foi para a escola, enquanto Buchi ficou em casa.
Mais tarde, após diversos e insistentes pedidos, foi matriculada em uma escola
missionária para meninas, onde aprendeu línguas nativas e o inglês – seu quarto
idioma.
Apesar dessa conquista e do
prazer de visitar Ibuza, Buchi Emecheta viveu uma infância dura. No entanto, a
pobreza e a subnutrição que assolaram boa parte de seus anos de juventude,
somadas à perda precoce de seu pai – tinha apenas oito anos –, não lhe
diminuíram a vontade de viver: um desejo intenso que nunca a abandonaria.
Em 1954, recebeu uma bolsa de
estudos em uma escola de elite, em Lagos. Durante esse período, a mãe de
Emecheta faleceu, e ela foi passada de um parente distante para outro. No
período de recesso dos estudos, enquanto suas colegas voltavam para as
confortáveis casas das famílias, ela permanecia no dormitório da escola,
encontrando abrigo nos livros e na imaginação. A volta das férias era seu
momento de brilhar, maravilhando as colegas com histórias sobre suas supostas
aventuras.
Aos 11 anos, ela conheceu e se
tornou noiva do estudante Sylvester Onwordi; aos 16, eles já estavam casados.
Logo nos primeiros anos, nasceram dois filhos – chegariam a cinco no total. A
família mudou-se para Londres, onde Onwordi entrou para a universidade.
Emecheta viveu um casamento
infeliz e, não raro, abusivo e violento. Quando começou a escrever em seu tempo
livre, chegando ao rascunho de um romance, viu Onwordi queimar os textos, consumido
por um absurdo sentimento de posse e ameaçado pela força de vontade da esposa e
seu desejo de conquistar uma graduação e tornar-se escritora. Aos 22 anos,
Buchi consumou o divórcio, no entanto, Onwordi renegou a paternidade. Sem
dinheiro, em um país estranho a ela e com seus cinco filhos para cuidar,
manteve-se com obstinação e trabalhou em lugares como a Biblioteca de Londres,
enquanto estudava à noite. Em 1974, estava graduada em Sociologia.
A graduação e os pequenos
trabalhos eram movidos, desde o princípio, pela vontade de escrever, aprimorar
seu inglês e sua comunicação com o resto do mundo. Depois de diversas
rejeições, recebeu uma oportunidade como colunista no periódico inglês New
statesman, onde escreveu sobre experiências pessoais. Os textos tornaram-se a
base do primeiro livro, In the ditch [Na vala] (1972). Dois anos depois,
publicou Second-class citizen [Cidadão de segunda classe]. Enquanto os dois
primeiros romances de Emecheta são de caráter autobiográfico com alguns
elementos ficcionais, as obras subsequentes apresentam um tom de resgate
histórico, tendo como cenário a Nigéria igbo colonial do início do século XX, a
África que sua mãe conheceu.
The bride price [O preço da
noiva] (1976) foi escrito pouco antes de sua mudança para New Jersey, nos
Estados Unidos, onde trabalhou como assistente social. Reconstrução do
manuscrito destruído pelo ex-marido, a obra relata a história de uma mulher que
desafia os costumes de sua tribo ao casar-se com um homem que não pertence à
mesma classe social que ela. The slave girl [A pequena escrava] (1977), uma
denúncia à opressão patriarcal sobre as mulheres e seus corpos, tem como
protagonista uma menina órfã vendida pelos irmãos para um parente distante.
Emecheta manifestava, em
textos diversos, sua necessidade de se comunicar e de atenuar angústias com
páginas escritas. É natural imaginar, portanto, sua reação ao descobrir que uma
de suas filhas iria morar com o pai, Onwordi. Devastada, escreveu em seguida
seu livro de maior repercussão e recepção positiva ao redor do mundo: As
alegrias da maternidade (1979), título abertamente irônico, que recebeu sua
primeira tradução para o português na edição da TAG enviada aos associados do
clube em outubro de 2017, sendo ao mesmo tempo a primeira obra de Emecheta editada
no Brasil.
Tendo como cenário a mesma
Nigéria colonial da primeira metade do século XX, a obra narra a trajetória de
uma jovem igbo, Nnu Ego, cujas escolhas serão guiadas pelo que é esperado de
uma mulher em seu contexto social: ser mãe. Depois de casada, Nnu Ego percebe
que não consegue gerar filhos, uma das maiores decepções e desgraças para uma
mulher de sua cultura. Seus sofrimentos não parecem terminar quando ela
finalmente consegue dar à luz. As condições para sustentar os filhos vão se
mostrando cada vez mais precárias, ao mesmo tempo em que a vida em Lagos, sua
nova e urbanizada terra de moradia, impõe-lhe uma adaptação para a qual não se
sente preparada. Sua vida é diretamente atingida pelas influências da cultura
do colonizador inglês, transformando os valores tradicionais de sua terra de
origem.
Os percalços vividos por Nnu
Ego refletem uma cultura de violenta opressão patriarcal e colonial. Buchi
Emecheta explicita em sua obra a prisão em que vive a mulher da Nigéria e sua
clara posição de subordinação ao homem, tanto o nigeriano quanto o europeu, com
relações de poder diferentes, mas sempre inferiorizada.
Depois da publicação de As
alegrias da maternidade, a autora escreveu diversos outros romances, com
destaque para Destination Biafra (1982), o primeiro a apresentar a perspectiva
de uma mulher sobre a Guerra Civil Nigeriana. Aventurou-se, também, no universo
infantojuvenil, em projetos para televisão e em uma autobiografia – que inclui,
entre outras histórias, as origens de As alegrias da maternidade. Em toda a sua
carreira, dentro e fora dos livros, mostrou preocupação com a educação e
empoderamento da mulher.
Em janeiro de 2017, aos 72
anos e debilitada pela demência, Emecheta faleceu. Sua obra expandiu as
representações da mulher africana ao redor do mundo, estabelecendo-a como uma
das melhores contadoras de histórias de seu tempo. “Existem milhões de mulheres
africanas que nunca deixam suas casas, nunca deixam seus vilarejos; esposas em
vilarejos continuam na escravidão. Quanto aos meus livros, eles podem ser
positivos, ou podem ser negativos. Mas eu acredito que se você cria uma
heroína, seja africana ou europeia, com educação – não necessariamente com
dinheiro, mas educação – ela ganha a confiança para poder lidar com o mundo
moderno”.
A OBRA-PRIMA DE MARYSE CONDÉ,
EM TRADUÇÃO DA PREMIADA ESCRITORA NATALIA BORGES POLESSO, COM PREFÁCIO DA
ACLAMADA ESCRITORA CONCEIÇÃO EVARISTO
Em Eu, Tituba: bruxa negra de
Salem, a escritora caribenha Maryse Condé dá voz e corpo a uma das primeiras
mulheres julgadas durante o pânico moral em torno das bruxas em Salem,
Massachusetts, e silenciada por três séculos, devido à implacável
historiografia racista.
A história de Tituba é a
história das mulheres da diáspora e do povo negro. É também a história de todas
as pessoas que seguem a própria verdade, em vez de professar a fé do
colonizador. É a história dos e das dissidentes e dos seres de alma livre. Por
isso é uma história bela e complexa, cujo final, a despeito dos infortúnios, é
sempre benfazejo, pois é a história dos que resistem.
Maryse Condé anota no início
deste grande romance: "Tituba e eu vivemos uma estreita intimidade durante
um ano. Foi no correr de nossas intermináveis conversas que ela me disse essas
coisas que ainda não havia confiado a ninguém." Da mesma forma, quem lê
Tituba poderá ouvi-la falar, a partir do invisível, e com ela aprenderá sua
arte, que, por curar, desestabiliza estruturas cristalizadas, medeia novas
concepções de identidades e culturas e protege as pessoas insurgentes.
Dica de artigo com mais comentários sobre esta obra:
- Quatro Motivos Para Ler Maryse Condé - Grupo Editorial Record/Blog (https://bit.ly/2U7pBx1)
Maryse
Condé (Guadalupe, 11 de fevereiro de 1937) é uma reconhecida escritora
francesa, feminista e ativista, difusora da história e a cultura africana nas
Caraíbas. Destaca-se pela sua vasta produtividade como autora e pela sua
versatilidade para escrever ficção histórica, contos, romances, ensaios, poemas
e outros géneros. É especialmente conhecida pelo seu romance Segu (1984–1985).
Nascida como Maryse Boucolon em Pointe-à-Pitre, Guadalupe, foi a menor de oito
irmãos. Depois de se graduar na escola secundária foi enviada para o Lycée
Fénelon e para Sorbonne em Paris, onde obteve um doutoramento em Literatura
Comparada. Em 1959 casou-se com Mamadou Condé, um ator guineense. Depois da sua
graduação foi professora na Guiné, Gana e Senegal. Em 1982 divorciou-se, e
voltou a casar-se no ano seguinte, com Richard Philcox, tradutor da maioria dos
seus romances para língua inglesa. Em 1985 Condé obteve uma bolsa Fulbright
para ensinar nos Estados Unidos, como professora na Universidade de Columbia em
Nova Iorque.
Além
de seus livros, Condé teve uma distinta carreira acadêmica. Em 2004 retirou-se
da Universidade de Columbia como Professora Emérita de Francês. Anteriormente
ensinou na Universidade de Califórnia, Berkeley, UCLA, a Sorbonne, A
Universidade de Virginia e a Universidade de Nanterre.
Em
2018, Condé venceu o prémio de literatura alternativo ao Nobel, suspenso
naquele ano por acusações de corrupção e assédio sexual de jurados.
Os
romances de Condé exploram assuntos raciais, de género e culturais numa
variedade de eras históricas.
Centram-se
nas relações entre os povos africanos e a diáspora, especialmente nas Caraíbas.
Tem tomado uma distância considerável da maioria dos interesses dos movimentos
literários das Caraíbas, como a negritude, abordando com frequência temas com
uma forte visão feminista. Ativista tanto no seu trabalho como na sua vida
pessoal, Condé admitiu: "não poderia escrever qualquer coisa... a não ser
que tenha uma importância política segura". As suas obras tomaram um
género autobiográfico, como Memórias de Minha Infância e Vitória, uma biografia
da sua avó. Quem cortou a garganta de Celanire tem também rastos de sua bisavó
paterna.
COMO FAZER UM ARTIGO DE OPINIÃO Para escrever um artigo de
opinião você precisa de duas coisas: ter argumentos que sustentem a sua visão
sobre o tema do artigo e conhecer a estrutura do texto
dissertativo-argumentativo.
Passo a passo para fazer artigo de opinião
Se o tema for escolhido por você, escolha algo sobre o qual já tenha
opinião formada, ou pelo menos seja do seu interesse.
Pesquise sobre o tema e recolha dados, em jornais, livros, revistas
e sites fiáveis.
Organize suas ideias e faça um esboço da estrutura do seu texto,
que deverá conter introdução, desenvolvimento e conclusão.
Comece a redigir o seu texto. Na introdução, apresente o tema e
diga por que é importante pensar sobre ele.
No desenvolvimento, assuma a sua posição. Expondo os seus argumentos,
esclareça se você é a favor ou contra e o que pensa sobre o tema.
Ainda no desenvolvimento, contra-argumente. Imagine ou pesquise
argumentos contra a sua posição e responda a isso.
Na conclusão, resuma as suas ideias e deixe claro qual a sua posição.
1. Escolha e reflita sobre o tema
Dependendo do caso, o tema do
seu artigo de opinião pode ser indicado por alguém, mas se a escolha estiver
nas suas mãos, escolha algo sobre o qual esteja confortável para escrever ou,
que apesar de ainda não saber muito a respeito, está motivado a pesquisar e a
dizer o que pensa.
Lembre-se que os artigos de
opinião abordam temas polêmicos e atuais, o que provoca a curiosidade dos
leitores. As pessoas têm interesse em conhecer a opinião de outras sobre temas
que geram debate. Isso porque boas argumentações podem influenciar a nossa
própria visão sobre as coisas.
Exemplo: Em tempos de
Covid-19, há muita discussão em torno de lockdown e ensino à distância. Assim,
ambos podem ser bons temas para escrever artigos de opinião.
2. Pesquise sobre o tema
Consulte diversas fontes a fim
de ampliar seus conhecimentos sobre o tema e conhecer opiniões diferentes das
suas.
Recolha dados que possam ser
apresentados ao leitor - relatos, leis, gráficos, pesquisas. Lembre-se que um
artigo que apresenta fundamentos é muito mais credível.
Veja o exemplo:
“Existe um importante estudo
de Michael Apple (2003), a obra Educando à direita: mercados, padrões, Deus e
desigualdade, na qual o autor abre a introdução com a frase “A temporada de
caça à educação continua aberta” (p.1). Ele faz afirmações que grupos
conservadores têm tomado posse da educação (...) Para o autor, estes grupos defendem
suas ideias usando a justificativa quanto a melhoria do padrão de qualidade,
por meio de avaliações e para desta forma aumentar o nível de exigências tanto
em relação ao desempenho de professores, quanto dos estudantes que devem,
portanto, se alinhar com as lógicas de mercado neoliberais.” (Trecho de artigo de opinião
“Conec-atados - pela defesa de um projeto civilizatório”, publicado no Jornal
Opção, em 14 de junho de 2020, e assinado por Gabriel Rocha Freitas)
3. Faça um esboço da estrutura do seu texto
Antes de começar a escrever,
pense em como contextualizará o leitor sobre o tema e que argumentos - e
contra-argumentos - apresentará para convencer quem lê o seu artigo. Faça um
rascunho com tudo o que vem na cabeça.
Em seguida, organize as suas ideias pensando na estrutura
do seu texto:
·introdução - contextualização do tema;
·desenvolvimento - argumentação e
contra-argumentação;
·conclusão - resumo das ideias.
Se o meu artigo de opinião tem
como tema o ensino à distância, posso organizá-lo conforme abaixo.
Exemplo de parte de introdução: Com a pandemia, fomos obrigados a
mantermos o isolamento e, nessa situação, o ensino precisou se adaptar a essa
realidade em que professores e alunos não precisem estar fisicamente no mesmo
ambiente. No entanto, essa prática apresenta uma série de desvantagens para os
professores …
Exemplo de parte de desenvolvimento: Cientes da necessidade de
isolamento, os professores tiveram de se preparar para garantir que a educação
não parasse, no entanto, enquanto muitos enxergam apenas vantagens para o fato
de trabalhar em casa, a realidade é outra, pois gerir uma rotina de sala de
aula sem contar com o olho no olho dos alunos não é fácil. Agora, os
professores têm que se esforçar muito mais para ensinar e para perceber as
dificuldades de cada aluno, tendo que reinventar a cada aula ...
Há quem considere que, em
contrapartida, os professores têm menos custos (com transporte, alimentação),
mas esses não consideram que esta realidade exige outros tipos de custos, como
despesas com eletricidade, internet e restantes equipamentos necessários para o
funcionamento das suas aulas …
Exemplo de parte de conclusão: O ensino à distância apresenta
vantagens e desvantagens. Embora seja preciso enxergar ambas, ao compará-las,
conseguimos perceber que o esforço dos professores aumentou em tempos de
Covid-19.
4. Comece a redigir
A primeira coisa que tem que
ser feita num artigo de opinião é apresentar
o tema ao leitor para que ele entenda o que será discutido no texto e
porquê.
Esclareça o motivo pelo qual o
tema é polêmico, ou seja, por que ele é um problema que merece ser discutido.
Isso fará parte da introdução.
Veja o exemplo:
“A ideia de armar a população
como medida de segurança pública é controversa, mas debatível. Dá para tecer
argumentos racionais contra e a favor. Bolsonaro, porém, cruzou a linha
vermelha da racionalidade ao dizer que é preciso armar a população para
“impedir uma ditadura”. E é por isso que esse texto está aqui. A cobertura do
dia-a-dia da política não faz parte do escopo de assuntos da SUPER, mas os
debates sociais fazem.” (Trecho de artigo de opinião
“Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”,
publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por
Alexandre Versignassi)
5. Assuma a sua posição
No desenvolvimento, você deve explicar muito bem a sua posição e expor
os seus argumentos, fundamentando o que escreve.
Argumente e seja convincente a ponto de influenciar as pessoas que
leem o seu artigo e propiciar a reflexão crítica. Para tanto, o seu texto deve ser coeso e coerente, o
que lhe garantirá mais credibilidade.
Veja o exemplo:
“A discussão sobre a imposição
de lockdowns deve ficar exclusivamente entre as autoridades. Se o Presidente
discorda das medidas, sem problemas: que converse com os governadores e
prefeitos. Se não se chega a um acordo com os governadores e prefeitos, não há
o que fazer. Ele deve obedecer a Constituição – que dá autonomia aos Estados e
às cidades para decidir o que abre e o que fecha.” (Trecho de artigo de opinião
“Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”,
publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por
Alexandre Versignassi)
6. Contra-argumente
Ainda no desenvolvimento, é muito interessante você imaginar um leitor que
contesta a sua ideia/opinião, ou seja, que apresenta ideias devidamente
argumentadas, mas contrárias às suas.
Antecipando essa situação,
você escreve contra-argumentos, mostrando o motivo pelo qual, apesar dos
argumentos expostos, essas eventuais ideias não são viáveis.
Veja o exemplo:
“E se o Presidente não
concorda com a Constituição, que encontre apoio no Congresso para alterá-la –
sim, a ideia de acabar com os isolamentos é estapafúrdia, anticientífica e
aumenta o número de mortos, mas um Presidente pode tentar convencer o Congresso
de que está certo.” (Trecho de artigo de opinião
“Autoritário não é quem promove lockdown. É quem prega a desobediência civil”,
publicado na revista Super Interessante, em 25 de maio de 2020, e assinado por
Alexandre Versignassi)
7. No fim, deixe claro qual a sua posição
Depois de argumentar e
contra-argumentar nos parágrafos do desenvolvimento do seu texto
dissertativo-argumentativo, você deve indicar
qual a conclusão tirada em torno das
discussões acerca do tema.
Em meio a exposição de tantas
ideias, esta parte é essencial para o leitor entender a sua opinião.
Veja o exemplo:
“O anti-intelectualismo, a
perseguição aos saberes científicos, se alimentará do ponto-fraco da educação
para fortalecer rumo às trevas. Ead significa precarização do trabalho do
professor, (leia-se: exploração), significa a “uberização”, o esvaziamento dos
debates, a perda na rigidez do método científico, o subemprego, o fim do
concurso público, o fim da profissão do professor, e o surgimento do “educador
empreendedor” que se colocará no mercado competitivo com aulas show, criativas,
espetacularizadas para garantir o seu lugar no mercado com seu CNPJ, sem
direitos, mas com obrigações e sem aposentadoria “conec-atados”, conectados
pela tecnologia e atados e silenciados pelas perseguições que já se iniciaram.” (Trecho de artigo de opinião
“Conec-atados - pela defesa de um projeto civilizatório”, publicado no Jornal
Opção, em 14 de junho de 2020, e assinado por Gabriel Rocha Freitas)
(Fonte: FERNANDES, Márcia. Como Escrever um Artigo de Opinião. Disponível em: todamateria.com.br / https://bit.ly/2TphLhq)
Observação: no Padlet SITES QUE (IN)FORMAM, da Sala de Leitura, você encontrará vários sites excelentes para complementar seu estudo e suas técnicas de redação com o objetivo de que tenham sucesso ao realizarem a prova do ENEM. Além disso, lá você poderá visualizar o e-book "Guia Completo Para Redação do ENEM". Neste guia, você aprende como
deve ser o formato da redação, quais são os critérios de avaliação e vê
exemplos de redações de sucesso e dicas de quem tirou nota 1.000 e é
especialista no assunto. 🔗Para acessar o padlet basta copiar e colar o endereço 2𝒊5𝒎𝒙𝒙𝒓𝒅8𝒚𝒎𝒙𝒆6𝒙 na barra de busca do Google.
Outros artigos com dicas de redação:
DINIZ, Yasmine. Descubra como escrever um bom artigo de opinião - publicado em 27/03/2020. Disponível em: blog.imaginie.com.br / https://bit.ly/3ge7a25
MARINHO, Fernando. Artigo de Opinião. Disponível em: portugues.com.br / https://bit.ly/3cAGt5s
Alguns vídeos sobre como construir um artigo de opinião e suas características
"Este livro, afinal, não passa de uma antologia¹ do folclore brasileiro." (Mário de Andrade)
O termo rapsódia pode ser utilizado tanto na música quanto na literatura e significa uma obra composta com trechos de outras obras literárias ou musicais, alinhavados entre e si e que formam uma colagem, uma unidade. Foi assim que Mário de Andrade criou seu romance mais famoso, Macunaíma, pois ele queria expressar a pluralidade da realidade brasileira em todos os seus aspectos e através dessa colagem criar uma única identidade nacional. Para isso, o escritor criou uma narrativa seguindo os preceitos da produção literária modernista. O livro, que tem um caráter épico², é considerado um dos romances mais importantes do modernismo brasileiro, foi escrito em 1926 e publicado em 1928.
1. conjunto/coletânea de trechos seletos de diferentes obras; coleção de várias obras ou coisas.
2. que relata, em versos, uma ação heroica; relativo a ou próprio de epopeia ou de heróis.
[...] Assim ele faz de Macunaíma uma rapsódia: uma colagem das lendas, mitos, tradições, religiões, falares, hábitos, comidas, lugares, fauna e flora do Brasil. A grande genialidade da obra foi conseguir unir esses muitos elementos em uma narrativa coesa. Para isso, Mário de Andrade lança mão de algumas características da composição modernista. O espaço em Macunaíma não segue as regras da verossimilhança dos romances realistas. O herói passa de um lugar distante para o outro em poucos passos [...] O que dá unidade ao espaço no romance não é a distância física entre os lugares e sim suas características. [...] (Fonte: culturagenial.com / https://bit.ly/2S6R7tL)
Enfrentar o desafio de construir uma obra dessas, com tamanho volume de informações só foi possível graças ao grande conhecimento de Mário de Andrade sobre a cultura e a diversidade do Brasil, que sempre foi um país continental que apresenta uma vasta gama de regionalismos, de uma pluralidade cultural imensa. Nessa colagem, o autor insere personagens históricos em contextos inusitados, ressignifica símbolos nacionais e mistura lendas indígenas com inovações tecnólogicas da época.
Um aspecto importante desta obra é o emprego que o escritor faz de uma linguagem muito próxima da oralidade e que é um mix de falares regionais, estrangeirismos e termos indígenas. Portanto, "Macunaíma, o herói sem caráter" representa essa o povo brasileiro que está em busca dessa unidade nacional e vai se adaptando a cada situação diferente conforme elas surgem pelo caminho.
[...] Mas quando falamos de
Macunaíma, a linguagem encontrada e o estilo de escrita é ainda mais
excêntrico. Isso porque Mário de Andrade quis romper barreiras, trazendo
exclusivamente o brasileirismo em seus escritos. Assim sendo, nos deparamos com
um estilo poético, com termos indígenas estampados em todos os cantos (pois
vejam só, não existe mais brasileiro que o tupi). E isso é assustador de imediato. Eu
me lembro da primeira vez que li, por obrigatoriedade essa obra. Quis chorar,
pois era adepta ao “politicamente correto”, com o português formal, com termos
provindos de países europeus. Conhecia a mitologia grega de cabo a rabo, mas
nada sabia sobre nosso folclore. [...] (Fonte: cladoslivros.com.br / https://bit.ly/3x3LvPD)
(Texto: André Luiz Gattás)
CURIOSIDADES SOBRE MACUNAÍMA
Mário de Andrade disse que escreveu Macunaíma em 6 dias, deitado na rede de uma chácara em Araraquara, São Paulo.
Nos
dicionários, “macunaíma” significa: 1. entidade mitológica ameríndia criadora de
de todas as coisas; 2. indivíduo preguiçoso e que tenta enganar os outros
Em
1969, foi lançado um filme de nome Macunaíma, baseado na obra de Mário de
Andrade. Trata-se de uma comédia escrita e dirigida pelo cineasta brasileiro
Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988).
Macunaíma, o herói sem nenhum
caráter foi escrito na chácara de Pio Lourenço Correa, benfeitor de Araraquara, em uma
semana de rede e muito cigarro, de 16 a 23 de dezembro de 1926. Nascido em
1893, Mário na infância juntava-se periodicamente na capital aos seus primos
araraquarenses, da família de Cândido Lourenço Corrêa da Rocha, marido de sua
tia Isabel. O escritor esteve várias vezes
na Chácara Sapucaia que hoje abriga o centro cultural. Em algumas, para se
recuperar de crises emocionais, como a perda de seu irmão Renato em 1913, e em
outras, para passar férias, como em 1926, quando redigiu a rapsódia
transformada no livro Macunaíma. Ao completar 40 anos, Mário sofreu séria crise
de depressão. Com fases mais brandas ou profundas, a doença acompanhou-o até o
fim de sua vida. Enfermo, sempre recorreu às temporadas em Sapucaia.
Foi membro ativo de uma
renovação estética e ideológica, buscava na mudança e na transição argumentos
destacáveis para sua eterna luta: a da recuperação do sentido de ‘ser
brasileiro’. Sua figura representa, até hoje, o grande questionador da cultura
e da arte que estavam alimentando o Brasil do início do século 20. Com Oswald
de Andrade e Tarsila do Amaral, Mário foi um dos mais fortes defensores da
cultura do povo brasileiro e de seu resgate, enfatizando o retorno às origens,
sem perder de vista as influências estrangeiras. (Fonte: UNESP: Berço de Macunaíma é preservado como Centro Cultural em Araraquara, publicado em 21/01/2004. Disponível em: saopaulo.sp.gov.br / https://bit.ly/3v1LTwF)
"Macunaíma" foi escrito por Mário de Andrade em 1926, quando ele "refugiou-se" na fazenda Sapucaia do "tio Pio". Mário de Andrade teria escrito a obra em uma semana. Pio Lourenço Corrêa foi, além de parente, amigo e correspondente de Mário de Andrade durante muitos anos.
A fazenda Sapucaia, que era o antigo nome do local onde hoje fica a chácara doada por Heleieth Saffioti à Unesp no dia 7 de dezembro, pertencia a Pio Lourenço Corrêa, um intelectual autodidata, que, entre outras coisas, estudou tupi para buscar a origem da palavra "Araraquara", comprando uma briga com os filólogos da época. Pio contestou a vertente que defendia, como muitos defendem até hoje, que "Araraquara" significava algo próximo a "ninho das araras". Para Pio Lourenço Corrêa, a palavra que dá nome à cidade do interior paulista deveria ser traduzida como "morada do sol". É uma das histórias que Renato Corrêa Rocha conta a respeito de Pio Lourenço Corrêa. Rocha é fazendeiro, vive em Araraquara e herdou a propriedade de Lourenço Corrêa, de quem é sobrinho, em 1961, e a vendeu para o casal Saffioti em 1973.
(Fonte: jornal Folha de São Paulo / caderno Ribeirão/ publicado em 17/12/2000. Disponível em: www1.folhauol.com.br / https://bit.ly/3uY0YPN)
- Acesse o site da UNESP e faça o tour virtual para conhecer o Centro Cultural Professores Waldemar e Heleieth Saffioti - Chácara Sapucaia, espaço onde Mário de Andrade escreveu Macunaíma aqui em Araraquara: fclar.unesp.br / https://bit.ly/3za2gdF
Abaixo você pode ler boas resenhas sobre Macunaímaesobre o Modernismo no Brasil
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter (bonslivrosparaler.com.br / https://bit.ly/2T3MkJx)
Mário de Andrade foi um dos
intelectuais brasileiros mais importantes do século 20. Era poeta, romancista,
cronista, musicólogo, fotógrafo e pesquisador do folclore brasileiro.
Teve contato pela primeira vez
com o modernismo na exposição de arte de Anita Malfatti. Ao conhecer Oswald de
Andrade, passou a ser influenciado pelo movimento modernista.
Mário de Andrade se juntou ao
"grupo dos cinco" e passou a fazer parte da vanguarda da arte
brasileira. O ano chave para Mário de Andrade e para a cultura brasileira foi
1922. Naquele ano, ele colaborou com a revista Klaxon, participou da Semana de
Arte Moderna e lançou um dos seus principais livros, o Paulicéia Desvairada,
que se tornou um marco para a literatura brasileira moderna.
Enquanto na Europa nasciam diversas
vanguardas artísticas que defendiam a liberdade de criação, no Brasil o
parnasianismo era a escola literária mais influente. Os parnasianos pregavam
uma poesia metrificada, com rimas ricas e temas que contemplassem o belo.
Mário de Andrade, que era
influenciado pelas vanguardas, se tornou um grande crítico do movimento
parnasiano. Ele não queria apenas copiar o que era feito na Europa, e sim usar
os conceitos das vanguardas europeias para criar uma literatura nacional.
Ele defendeu esta posição no Prefácio
Interessantíssimo, uma espécie de manifesto onde reafirma o uso de versos sem
métrica, sem rima, e uma linguagem mais simples e próxima do português falado
no Brasil. Neste texto, Mário de Andrade também critica as regras rígidas e a
linguagem difícil do parnasianismo.
Macunaíma foi o principal livro de Mário de
Andrade. Nele estão todos os preceitos que defende. A narrativa é fluída e com
muita liberdade, está cheia de elementos nacionais e de palavras originárias do
Brasil. Mário conseguiu usar de fato as vanguardas europeias para criar uma
literatura nacional.